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E o pobre, cada vez mais pobre
Fortunato Losso Netto
19/05/2017 04h15
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29 de setembro de 1960  Que significa para o país a grande decisão que tomará no dia 3 de Outubro? Será que teremos que escolher, apenas, pela simpatia a um ou outro candidato; ou para seguir a linha de determinado partido; ou porque o candidato é paulista?
 
Existe, no momento, um motivo decisivo para orientar a nossa votação: precisamos, sem duvida nenhuma, mudar de rumo, pois da maneira como as coisas vão indo é que não pode continuar. Durante este governo, pela orientação que ele imprimiu à administração, promovendo  gastos muito superiores à produção da riqueza nacional, agravou-se a inflação de tal modo, eu, em 4 anos e meio de governo, o sr. Juscelino Kubitschek elevou o meio circulante de 60 bilhões para 160 bilhões. Neste particular, s. excia. ultrapassou todas as metas dos 50 em 5, pois em 5 anos emitiu o dobro do que o Brasil havia emitido durante toda sua existencia de país soberano.
 
A inflação torna os pobres, mais pobres, e os ricos, mais poderosos ainda. Isso não é uma frase feita, para ludibriar o povo em tempo de eleição. Isso é uma verdade provada, e que se pode exemplificar facilmente.
 
De acordo com os levantamentos feitos pelo New York Bank, a desvalorização da moeda, no Brasil, é das maiores em todo o mundo: 100 cruzeiros em 1949 ficaram reduzidos a 19 cruzeiros, em 1959. Para exemplificar: 300 milhões de cruzeiros, depositados na Caixa Economica de Piracicaba, por milhares de pessoas humildes, que procuram ter uma pequena reserva, para qualquer surpresa da vida  ou para adquirir no futuro, quem sabe? sua casinha propria ou para garantir um pequeno peculio para o filho pequeno, ou para o enxoval da menina, quando ela for casar  esses 300 milhões de cruzeiros, em 1949, pela desvalorização da moeda, ficaram valendo apenas 57 milhões de cruzeiros! De 300 milhões, para 57 milhões!
 
Ora, essa desvalorização, ocasionada pela loucura das emissões do governo, calou fundo na economia popular, nessa economia do pé de meia, que ajunta o dinheirinho a longo prazo, na caderneta da Caixa, com a esperança de poder emprega-lo mais tarde. O rico, porem, não tem o dinheiro assim estabilizado: ele adquiriu umas terras, uma industria, edificou um grande predio: com o rico, aconteceu exatamente o contrario. Se comprou uma fazenda em 1949, por 19 milhões de cruzeiros, esta mesma fazenda, em 1959, está valendo 100 milhões. O seu dinheiro cresceu, na medida em que o dinheiro do pobre minguou. Daí é facil entender que, no periodo de inflação, ou de violenta desvalorização da moeda, realmente o rico focou mais rico e o pobre, cada vez mais pobre.
 
Não é outra coisa que estamos vendo, nesse infelicitado país, aqueles que vivem de ordenados fixos, vivem apertados eternamente. O dinheiro não da nunca, para as necessidades minimas. Sempre fica faltando para alguma coisa. Não é só o operario, o trabalhador braçal. Tambem a classe media  os funcionarios, os pequenos negociantes, os artifices, os profissionais liberais, os professores. Vivem em eterna luta, por melhoria de vencimentos. E quando essa melhoria chega, o nivel já está ultrapassado pela carestia, iniciando-se imediatamente novo ciclo de reivindicações, sem resolver nunca a estabilidade da economia domestica.
 
Isso prova que a inflação, alem de tudo, é fomentadora de inquietação social; as greves se sucedem, as reivindicações de classe não têm fim, e não é possivel transcorrer um mês sequer, sem que as manchetes dos jornais não se ocupem da alta dos preços ou da alta dos salarios.
 
Ora, esse estado de coisas tem que ter um fim, antes que penetremos na mais completa e incontrolavel desordem. Esse fim, no entanto, não o atingiriamos com o candidato  do governo responsavel por isso que aí está, o marechal Lott. Para colocar um ponto final nessa marcha funebre, nessa corrida louca atrás de novos salarios, para pagar preços mais altos, num desespero que não tem mais fim, somente um homem, experimentado, honesto, duro com os ladrões dos dinheiros publicos, humano com os humildes. Não preciso mencionar seu nome. Ele está na consciencia dos brasileiros, que o conduzirão à suprema magistratura da Nação, como a grande Esperança do Brasil.

Fortunato Losso Netto

Foi médico, jornalista, diretor e proprietário do Jornal de Piracicaba


 
 
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