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Quanta falta faz um líder
Fortunato Losso Netto
12/07/2017 10h58
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17 de setembro de 1983 - Quando o professor Euclides Buzzeto nos procurou para movimentar a opinião pública de Piracicaba, a propósito da construção de um edifício ao lado da EEPG ‘Honorato Faustino’, trouxe-nos um sucinto relato da situação, e pelo que ele rapidamente nos esclareceu, vislumbramos ter havido uma falha fundamental, e isso o lhe dissemos na mesma ocasião: lamentavelmente deixaram fugir a oportunidade de gritar, para evitar o que veio a acontecer. 

Dissemos-lhe, também, que se à época pertinente tivéssemos sido alertados (e isso somente poderia ter sido feito por quem estava por dentro do assunto, isto é, a diretoria do ‘Honorato Faustino’) teríamos ‘posto a boca no trombone’, usaríamos todas as armas da imprensa, para que o terreno em tela, tendo cessado o prazo do Decreto 2097-75, que o considerara ‘de utilidade pública’, a serviço da Escola, fosse desviado para outros fins.

Entretanto, faltou um líder, na verdadeira acepção da palavra, para assumir a batalha que ora se trava, com perda lamentável de oportunidade.

Os responsáveis pela situação, isto é, as autoridades do Ensino envolvidas no assunto deixaram que ‘corresse tudo à revelia’, não agiram tempestivamente, na linguagem cartorária, e ensejaram que se desse o difícil ‘nó górdio’ que hoje estamos querendo desatar, mas estamos sem a espada de Alexandre para cortar.

Quanta falta faz um líder, numa decisão crucial como esta! Que o diga o nosso admirável professor Mauro Vianna, que tão bem orienta, há tantos anos os líderes desta terra! O líder é previdente, é audaz, é justo, vai direto às causas e consequências, é expedito em suas atitudes, é corajoso, quando toma uma decisão que sabe ser a melhor alternativa. Neste caso do ‘Honorato Faustino’, que nos perdoem as autoridades do Ensino envolvidas, faltou alguém no timoneiro, para agir eficazmente, na hora exata. Em suma: faltou um líder.

Não temos procuração para defender os que estão do outro lado: antes, reafirmamos nossa solidariedade aos professores e alunos do ‘Honorato Faustino’.

Mas não podemos deixar de reconhecer, por um dever de verdade, que os que visam construir o edifício, agiram de boa fé, às claras, submeteram o projeto a todas as exigências legais, com plena aprovação em todos os passos.

Não se concebe que o Departamento de Engenharia da Prefeitura Municipal tenha dado luz verde ao projeto, sem que fizesse ao menos uma inspeção no local, a ver todas as faces dos problemas que poderiam surgir.

Não pode entrar na cabeça de ninguém que o Corpo de Bombeiros não tivesse atentado para a vizinhança de um prédio escolar, e suas implicações.

O mesmo diríamos de outras áreas de aprovação, com todas as chancelas legais.

Afinal, os proprietários do terreno que não teve defensores pertinentes, exerceram um direito de uso, que as autoridades responsáveis não obstaram. E exerceram esse direito, que a Constituição lhes garante.

Em todo esse episódio surge uma séria dúvida, no ponto em que na ocasião propícia, o Padre José Maria, pela Prefeitura Municipal, teria provocado um pronunciamento do diretor do ‘Honorato Faustino’, sobre o interesse de permanecer sua intenção de desapropriar o terreno ao lado.

Ao que a diretoria teria respondido afirmativamente.

E agora o ponto crucial: diz-se que o ex-prefeito João Herrmann Neto teria assinado ato de prorrogação da vigência do Decreto desapropriatório. Esse documento, entretanto, não foi encontrado nos arquivos da Prefeitura. Resta a pergunta: ‘Teria o sr. João Herrmann Neto mentido aos dirigentes do ‘Honorato Faustino’, levando-os a negligenciar sobre o terreno?’ Nós sabemos, pelo passado de nossa história recente, que tudo poderia acontecer, depois que ficou provado em juízo que nessa administração, o sr. João Herrmann Neto chegou a falsificar até um ‘Diário Oficial’, para tentar validar ato tributário de seu interesse.

Uma investigação profunda do caso se impõe. Mas tudo isso são águas passadas, a serem apuradas.

Mas o que ficou patente é que, no ‘affair’ Grupo ‘Honorato Faustino’, infelizmente, faltou a ação de um verdadeiro líder, a defender as crianças daquele estabelecimento de ensino. Reafirmamos nossa solidariedade aos alunos e professores do ‘Honorato Faustino’ que serão indubitavelmente prejudicados com a construção de um edifício ao lado.

Somos por uma composição amigável, a ver se a Prefeitura poderia reparar o ‘cochilo’ do anterior Prefeito, propiciando um desfecho tão lesivo à comunidade.


Fortunato Losso Netto

Foi médico, jornalista, diretor e proprietário do Jornal de Piracicaba


 
 
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