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Lance estranho da sucessão
Fortunato Losso Netto
21/09/2017 15h16
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Não sei não, mas parece que essa interrupção do governo Figueiredo, por motivo de sua internação em Cleveland, vai acabar prejudicando o projeto político do presidente.
 
Com a estada de Aureliano Chaves no poder, por algumas semanas, as articulações sobre a sucessão mudaram de mão, observando-se que o mineiro angariou gerais simpatias, em largos segmentos do governo, dado seu gênio paciente, sua capacidade de agradar, dando uma nova visão do que seria seu relacionamento, caso permanecesse mais tempo sentado na curul presidencial do Palácio da Alvorada.
 
Foi extremamente estranho que, logo após deixar a interinidade do governo resolvesse se refugiar em seu retiro de Três Pontas, mas ter que regressar mais ou menos às pressas para Brasília, a chamado de Figueiredo. Este, a pretexto de ouvir opiniões sobre a sucessão, tratou de liberar o vice-presidente para fazer livremente sua campanha sucessória.
 
Afinal, precisaria um vice-presidente, eleito juntamente com o prefeito, pedir licença para apresentar-se como candidato a candidato à sucessão presidencial? Não teria Figueiredo, nestes poucos dias apanhado no ar a aura de simpatia que envolveu seu substituto, enquanto descansava à beira do Lago Erie, vendo crescer seu prestígio nas áreas políticas da Nação?
 
Os jornais publicaram, com certo destaque, a pesquisa de opinião realizada no país, em que a popularidade de Figueiredo e Aureliano se equivaliam, o que deveria mostrar que o mineiro ganhava terreno visivelmente na pugna sucessória. Afinal, a audiência Figueiredo-Aureliano focalizada livremente pela televisão, se notava nitidamente o constrangimento e o nervosismo do presidente, em contraste com o ar bonacheirão do homem das alterosas, perfeitamente à vontade, e depois declarando que, a rigor, qualquer cidadão brasileiro, de mais de 35 anos de idade, no gozo de suas prerrogativas civis poderia ser legitimamente candidato a presidente da República. Colocou que tem direito a se apresentar como candidato, independentemente de ser crismado pela cúpula do partido.
 
A tarefa a que se propõe o presidente de ouvir toda a nação se nos afigura quase impossível, tanto são os interesses interligados na malha da sucessão.
 
Enquanto isso, a oposição continua a clamar por eleições diretas, levantando o país na doutrinação democrática da livre escolha do chefe da nação pelo sufrágio universal direto, sem intermediários que transacionem as situações políticas das diversas regiões do Brasil.
 
Na verdade, soou estranha essa afirmação do presidente, ‘liberando‘ o seu vice a trabalhar pela sua eleição: uma das lembranças da ditadura em plena vigência da abertura democrática, tão ciosamente propalada pelo governo revolucionário?
Republicação dos artigos de Fortunato Losso Netto, em homenagem ao seu centenário de nascimento (1910-2010). Texto publicado originalmente em 14 de setembro de 1983.

Fortunato Losso Netto

Foi médico, jornalista, diretor e proprietário do Jornal de Piracicaba


 
 
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