Assédio em ônibus motiva campanha

campanha Campanha já está nos ônibus desde agosto. ( Foto: Claudinho Coradini / JP)

Chegar ao destino desejado, depois de embarcar em um ônibus, não é a única preocupação dos usuários, principalmente, os do sexo feminino. Muitas mulheres se sentem inseguras diante da possibilidade de assédio dentro dos ônibus. Uma pesquisa realizada pelo Observatório Cidadão de Piracicaba, coordenada pelo professor Roberto Braga, do Instituto de Geociências e Ciências Exatas do campus de Rio Claro da Unesp (Universidade Estadual Paulista), mostra que. o assédio às mulheres é apontado como um problema no transporte público da cidade por 69% dos usuários, de ambos os sexos.

A pesquisa ouviu 319 usuários, em quatro regiões diferentes. Entre as mulheres ouvidas, 75,8% apontaram o assédio como um problema grave e 48% declararam conhecer uma mulher que já tenha sofrido algum tipo de abuso. Já os homens, 60% entendem o assédio como uma questão grave a ser resolvida e 36% dizem conhecer uma mulher vítima de abuso no transporte. “Os números mostram uma realidade alarmante, que impede o ir e vir da mulher com segurança, na cidade”, diz Cláudia Regonha Suster, psicóloga e integrante do Coletivo Promotoras Legais Populares.

A Via Ágil, empresa responsável pelo transporte público, em parceria com a Prefeitura, tem a campanha “Me respeite”, contra o assédio, divulgada em veículos adesivados, desde agosto deste ano. A campanha conta com faixas nos seis terminais, cartazes nos ônibus e mais 400 inserções por dia nas TVs do TCI (Terminal Central de Integração). Embora não haja registro de casos de assédio no SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) da Via Ágil, a empresa entende que a ausência de denúncias pode ser pelo medo ou vergonha da vítimas. Segundo informações da Via Ágil e da Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes), a campanha acontece em parceria com várias entidades da cidade, com destaque para dois ônibus adesivados circulando em linhas do Cecap e da Vila Sônia.

A campanha alerta ao fato de assédio ser crime e da importância da denúncia no 180. Segundo a assessoria da Via Ágil, constantemente motoristas e agentes de terminal passam por palestras sobre a temática, para que estejam preparados para agir em situação de assédio. As mulheres são orientadas de que a denúncia é um instrumento para que agressores sejam punidos com medidas legais, o que pode contribuir com o mapeamento dos locais de maiores incidências. Quanto à fiscalização, a Via Ágil ressalta que há câmeras que monitoram todos os ônibus e há a presença da Guarda Civil em todos os terminais.

(Eliana Teixeira)