Assédio moral

 

 Um caso como esse não pode passar em brancas nuvens. O mínimo que se espera é que os culpados sejam punidos

A 11 dias das eleições, uma notícia agitou o meio político de Piracicaba e não teve qualquer relação com o pleito de 7 de outubro. É que uma ex-assessora de relações públicas denunciou o vereador Dirceu Alves da Silva (Solidariedade) por assédio moral e por quebra de decoro parlamentar. O assunto veio à baila e a Câmara informou no final da tarde de ontem, em nota, que os dois estão sendo investigados no Departamento de Assuntos Jurídicos. Este escândalo é nitroglicerina pura.

Rapidinho, o presidente da Câmara, Matheus Erler (PTB), se manifestou. Disse que recebeu do parlamentar um documento por suposta coação por parte da ex-assessora. Em contrapartida, a ex-assessora encaminhou à Câmara uma denúncia de suposta quebra de decoro parlamentar pelo vereador. Toda a verdade virá à tona através da apuração do Departamento de Assuntos Jurídicos. Foi decretada a confidencialidade na tramitação da apuração, para garantir o direito ao contraditório.

Fazia tempo que a Câmara não se envolvia em um caso de tal proporção. Para alimentar a história, a ex-assessora apresentou um áudio de uma suposta conversa com o vereador, na qual menciona que teria de pagar pedágio para continuar exercendo suas funções. Além disso, apresentou uma carta de próprio punho assinada na qual ela diz que o vereador sugere a marcação de uma reunião com ex-assessora em um motel.

O fato é gravíssimo. Em primeiro lugar, pagar pedágio a vereador – infelizmente, uma prática muito difundida nos Legislativos Brasil àfora – é uma atitude condenável sob todos os aspectos. Além de ser um crime. Por outro lado, o caso pode se configurar como um assédio moral, o que também é abominável de todas as formas. Por outro lado, o vereador alegou que está sendo vítima de coação.

Somente uma investigação apurada dos fatos poderá dizer quem está certo ou errado nesta história. Os dois lados devem ter amplo direito à defesa. Mas o fato é que a Câmara não pode colocar a sujeira debaixo do tapete. E nem o caso pode terminar em pizza. É o mínimo que se espera. Os políticos vivem uma crise de credibilidade sem precedentes no Brasil, e um caso como esse não pode passar em brancas nuvens. O mínimo que se espera é que os culpados sejam punidos.

(Cluadete Campos)