Atirador teria perfil de esquizofrenia,diz psicóloga

doença Erika Penha: “doença nem sempre é diagnosticada com facilidade”. (Foto: Divulgação)

Escrita confusa, mania de perseguição são alguns sinais de possível esquizofrenia, segundo análise preliminar da criminal profiler (define perfil de criminosos e pessoas com transtornos) e psicóloga Érika Penha. Ela considera que a doença pode ser genética e que nem sempre pode ser diagnosticada com facilidade, pois nem sempre a pessoa apresenta os sintomas. Dependendo do caso, pode ser confundida com depressão. A especialista fez uma referência ao analista de Sistemas Euler Fernando Grandolpho, 49, que invadiu a Catedral Metropolitana de Campinas e matou cinco pessoas e feriu outras quatro. Depois teria cometido um suicídio com um tiro na cabeça, no início da tarde de anteontem.

“Ele tinha uma espécie de diário, onde escreveu que estaria sendo supostamente ‘espionado’ por uma vizinha, em um condomínio de classe média em Valinhos, e que era ‘seguido por várias pessoas’. Ele tinha a mania de anotar placas de carros e também alegava que era perseguido por um ‘hacker’. Pela análise da letra percebemos que tinha uma suposta confusão mental”, afirmou Érika.

A profissional explicou que a esquizofrenia pode ser desencadeada após algum motivo forte, como espécie de gatilho. “Pode ser uma frustração muito grande, após receber ameaças, ou até mesmo assédio moral”, acrescentou a psicóloga.

A mãe de Grandolpho morreu há dois anos e atualmente, estava residindo com o pai, em um condomínio em Valinhos. “Ele vivia muito recluso e não aceitava que as pessoas entrassem no seu quarto. Apreendemos dois notebooks, celular e alguns diários. O viés que percebemos é que ele dizia ser perseguido por pessoas estranhas na rua, vizinhos, motoristas de veículos. A família nunca soube que ele tinha armas. Para o pai, foi uma surpresa o Euler ter cometido tal ato com duas armas”, afirmou o diretor do Deinter-2 (Departamento da Polícia Judiciária do Interior) de Campinas, José Henrique Ventura.

“Vamos apurar o período de deslocamento do suspeito, pois por volta do meio-dia ele estava almoçando em sua casa e, após uma hora e 15 minutos, cometeu o crime”, completou o delegado. “Agora cabe à perícia criminal verificar se ele estava em um surto psicótico”, lembrou Erika.

(Cristiani Azanha)