Atleta e ‘espelho’, piracicabano busca ouro no Pan-Americano

esporte Aos 53 anos,VitorWagner ‘Mangue’ vai disputar três modalidades no México. ( Foto: Líder Esportes)

O próximo dia 21 é aguardado com ansiedade pelo piracicabano Vitor Wagner, conhecido como Mangue Seco. Na data, ele irá embarcar rumo ao México. Aos 53 anos, Mangue terá pela frente mais um desafio: o Campeonato Pan-Americano de Kickboxing, que será realizado de 23 a 28 de outubro, em Cancún. O atleta, que também é mestre de capoeira há mais de três décadas, participa de três modalidades na categoria máster 74 kg: kick light, light contact e point fight, todas elas disputadas no tatame.

O objetivo é conquistar o ouro inédito na competição internacional. Em 2016, o piracicabano finalizou o evento com uma prata (kick light) e uma medalha de bronze (point fight). “Faltou pouco, lutei a final contra um canadense e estava ganhando, mas vacilei nos últimos segundos. Agora, estou bem focado e mais preparado do que há dois anos. Venho treinando e controlando a alimentação, afinal, perder peso é uma batalha para nós. Além disso, procuro conversar bastante com vários lutadores para aprender algo diferente e ganhar experiência”, disse.

Para garantir a classificação ao Pan, o atleta da equipe Company Top Fight poderia escolher dois caminhos: Campeonato Brasileiro ou Copa do Brasil. Mangue participou de ambos e, somando os dois eventos, faturou o total de seis medalhas. No Nacional, foram duas pratas (kick light e point fight) e um bronze (light contact), enquanto na Copa do Brasil, realizada no mês de setembro, o lutador saiu do tatame com o título de campeão no point fight, além da prata no kick light e o bronze no light contact. Agora, a meta é ampliar o número de conquistas no exterior.

“Sei que vou enfrentar adversários muito fortes, como os argentinos e canadenses. O Pan reúne os melhores de cada país, mas estou preparado. Acredito que vou entrar nas lutas com mais tranquilidade para tentar impor o meu ritmo, sem acelerar. Como eu disputo três modalidades, tenho que saber administrar isso”, afirmou Mangue. A preparação tem sido intensa: são três treinos realizados diariamente para aprimorar tanto a parte física quanto o aspecto técnico. A rotina, porém, não é limitada ao esporte.

ROTINA

“Trabalho às sextas-feiras, sábados e domingos como segurança no Clube do Saudosista, e dou aulas de capoeira, kickboxing e muay thai. Além disso, tento dividir o tempo com a minha família. Tenho três netas que moram comigo e dou atenção para elas também. Elas ficam preocupadas e, quando vou viajar, perguntam quando o avô vai voltar. A minha esposa diz que eu nem fui e elas já estão sentindo falta (risos)”, contou Mangue. “Para mim, é uma motivação. Meu foco é o treinamento. Prefiro estar em uma academia sozinho do que em um bar. É um motivo para minha mente continuar rodando”.

Perguntado sobre o que ainda falta conquistar no esporte, o piracicabano, que fará o exame de graduação para faixa preta em dezembro, disse que o maior título que pode alcançar é o exemplo. “Sirvo de espelho para muitas pessoas, pela vontade que tenho com a idade que estou. Isso é muito gratificante. Faço o meu e tento fazer bem. Claro que vou ao México com o objetivo de ganhar o cinturão. Eu me sentiria realizado e fecharia o ano com chave de ouro”, admitiu o lutador, que lida com uma dificuldade comum a qualquer esportista: a falta de apoio.

“A principal dificuldade é sempre o patrocínio. Temos muitos gastos e os amigos ajudam como podem. Em Cancún, por exemplo, o custo será alto. O pessoal pergunta o porquê de eu viajar se não vou ter retorno financeiro. Apenas de estar lá, pesar e lutar, é algo que marcante para a minha vida. Quando coloco a luva, eu me transformo. É um prazer imenso que só sente quem luta”, completou Mangue, que irá ao Pan-Americano com apoio da Varella Motos, Clube do Saudosista e Mané, Cobra e Sérgio Guarnieri.

( Líder Esportes)