Atleta se supera e conquista título

esporte Daniel Cruz deixou sedentarismo de lado, emagreceu 44 kg e garantiu a conquista. ( Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

Daniel Ferreira da Cruz, 33, conquistou no dia 18 de novembro o título de campeão sul-americano de boxe chinês. Na competição, que foi realizada em São Paulo, o lutador abriu mão de uma vitória por WO em sua categoria (82 kg a 88 kg) para realizar um combate na divisão de peso acima (82,1 kg a 94 kg), categoria avançado. O triunfo rendeu a ele mais do que uma medalha no currículo: o ouro no Campeonato Sul-Americano consolidou a volta por cima do atleta, que é paulistano, mas vive em Piracicaba há duas décadas.

Daniel praticou o boxe chinês por 12 anos, mas parou de treinar. Com o sedentarismo, ele engordou: em novembro de 2017, Daniel pesava 132 kg. “A questão do peso é grave, mas o maior problema é que eu estava com a pressão alta. O médico fez duas propostas: tomar remédio para a vida inteira ou emagrecer bastante. Foi aí que começou minha luta. Em março deste ano, já estava com 88 kg. Fui rigoroso na dieta, já tinha passado por nutricionistas. Como treinei muito tempo, também montei o meu próprio treino”, contou.

Durante sete meses, a rotina de Daniel foi dividida entre trabalho e treino, sempre com muita disciplina. Nesse período, as atividades físicas foram realizadas em uma academia improvisada no fundo da casa em que mora. “Primeiro, queria sofrer aqui (em casa) para depois sofrer na mão dos treinadores. Montei um circuito bem legal para mim, e depois de algum tempo, comecei dois dias da semana com o professor Junior Zandoná (Associação Liga Garra de Águia Piracicaba 2). Nos últimos três meses, passei a treinar duas vezes por semana no CT Marcelo Rodrigues”, relatou o lutador.

Desde que voltou a competir, em maio deste ano, Daniel participou de quatro competições e medalhou em todas: foi vice-campeão da Copa São Paulo e faturou os títulos do Campeonato Paulista e da Seletiva Sul-Americana, além do próprio Sul-Americano. Na carreira, ele soma ainda um ouro pan-americano. As conquistas, porém, são quase secundárias para ele. “No ano passado, eu pensei que não iria lutar mais. Tinha esperança, mas faltava vontade. Quando a minha pressão subiu, passei a me cobrar. O título é muito importante, mas o mais prazeroso é voltar a fazer o que eu gosto”, garantiu.

Aos 33 anos, ele ainda acredita que será reconhecido pelo talento mostrado nas lutas, mas é realista quando responde sobre os objetivos que ainda tem no boxe chinês. “Eu sei que um lutador de nível competitivo, no máximo, luta até os 40 anos, pouco mais do que isso. O meu objetivo ainda é ganhar um Mundial, que acontece a cada três anos, geralmente na Ásia. O Brasil é um grande ícone nas artes marciais, o trabalho aqui é muito bem feito. No entanto, tenho que manter o foco para não deixar a peteca cair novamente”, finalizou.

(Líder Esportes)