Atraso nas correspondências

A chefe de cozinha Maria Elizabete da Silva Bom, de 57 anos, procurou a reportagem do Jornal de Piracicaba no início do mês para relatar um problema que lhe tirava as noites de sono: há mais de um ano, as correspondências chegam com atraso em seu bairro, o bairro Parque dos Eucaliptos. Ela informou que os boletos chegam após a data de vencimento e que cartas e outras cobranças são entregues em outro endereço, mesmo que no envelope constem, de forma correta, o número de sua casa, rua e CEP.
 
A história de dona Maria poderia ser só dela, mas não é. Depois que o JP publicou a reportagem sobre a questão na página do Facebook, moradores de 21 bairros manifestaram o seu descontentamento. Vieram ainda depoimentos das cidades vizinhas São Pedro e Rio das Pedras.
 
A resposta enviada ao JP pela assessoria de imprensa dos Correios para o problema de dona Maria é a de que tratava-se de uma “questão pontual”. Não é o que diz a população dos bairros mais populosos da cidade — entre eles Paulista, Centro, Vila Rezende e Santa Teresinha.
 
Novamente questionada sobre as reclamações que chegaram pela rede social, a assessoria se limitou a enviar praticamente o mesmo texto, suprimindo o termo “pontual” e mantendo o fato de que até o fim do mês a questão será resolvida. Para tanto, os Correios afirmam que acontecem mutirões e “serviços extraordinários”.
 
É difícil não imaginar que o problema nos Correios em Piracicaba esteja descolado do contexto nacional. Relatório do Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) divulgado em dezembro aponta que de 2011 a 2016 o patrimônio líquido da empresa encolheu 92,63%. Além disso, foi constatada a deterioração da capacidade em saldar dívidas a longo prazo, aumento do endividamento e maior dependência de capitais de terceiros.
 
Esta semana, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, declarou à TV Nacional do Brasil (TV NBR) que a privatização dos Correios não é assunto em debate dentro do Governo Federal. Ele explicou que a função dos Correios deve ser reestudada e que, naturalmente, algumas funções vão desaparecer, “seja com privatização, parceria ou extinção”.
 
Como empresa pública federal, é imprescindível que os Correios zele pela qualidade dos serviços a que se propõe e, principalmente, não onere o bolso do contribuinte.