Banco da Cultura é lançado no Rio durante encontro de palhaços

Banco da Cultura é lançado no Rio durante encontro de palhaços
Fonte: Agência Brasil

O Banco da Cultura (BC) foi lançado hoje (5), no Rio de Janeiro, na Fundição Progresso, na Lapa, durante o Seminário Comicidade e Outras Economias em Rede, que faz parte do Encontro Internacional de Palhaços – Anjos do Picadeiro. Realizado há 22 anos pelo Teatro de Anônimo e reunindo profissionais da comicidade vindos do mundo inteiro, o encontro foi começou no último dia 1º e vai até dia 10 de dezembro.

De acordo com o idealizador do Banco da Cultura, João Carlos Artigos, a iniciativa surge da necessidade de estabelecer novas relações econômicas para atender às demandas tanto das pessoas que trabalham no setor da cultura como também dos consumidores. “Quando a gente fala de cultura, não está falando só de palhaços, de atores, mas da galera que planta agricultura, que trabalha com alimentação, com moda, que trabalha na área da saúde. Porque é a ligação de uma grande rede que compreende na sua prática formas de compartilhar, formas solidárias de ter o que fazer”, explicou o idealizador do BC, João Carlos Artigos.

A ideia, disse, é ativar as riquezas que já estão disponíveis. Segundo Artigos, o brasileiro é ensinado a ter uma perspectiva de que está sempre na escassez. “Na verdade, a gente tem uma relação bastante abundante, com várias coisas”, argumentou. João Carlos Artigos considera que momentos de crise, como o que o Brasil vem passando, criam possibilidades de “a gente se reinventar”.

Bancos comunitários

Nas pesquisas que fez e que serviram de base para a criação do BC, Artigos descobriu uma rede de mais de 100 bancos comunitários no Brasil. A experiência começou em 2003, com o Banco Palmas, em Fortaleza. Gerido localmente pela Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira, cuja maioria da equipe é voluntária, o Banco Palmas implementa projetos de trabalho e geração de renda através de sistemas de economia solidária, focada na superação da pobreza urbana e rural.

O Banco Cultural está ligado à plataforma eletrônica E-dinheiro, que permite fazer operações de débito, onde o comerciante vai pagar uma taxa menor da que ele paga pela utilização de qualquer um dos atuais mecanismos de cartão do mercado. Dois por cento dessa operação vão para o fundo de cultura voltado para pequenos financiamentos de caráter coletivo. “É uma premissa desse fundo que está sendo criado”.

Pequenos empreendimentos

Produção de alimentos orgânicos, pequenos bufês e escolas de gastronomia que formam jovens carentes são exemplos de ações apoiadas pelo projeto. “Os jovens aprendem a lidar com alimentos desde o cultivo até a feitura da comida”. Também escolas de circo que têm interface com a questão da produção de alimentos podem se habilitar ao apoio do BC. “Esse tipo de projeto nos interessa”.

O BC já tem reunidos cerca de 300 fazedores ligados à área da cultura, que estão reunidos no Rio de Janeiro até o dia 10. O banco está cadastrando estabelecimentos e empreendedores que já estão fazendo vendas por meio do E-dinheiro, durante o Encontro Internacional de Palhaço. O público pode baixar também o aplicativo para ter desconto nas atrações do encontro.

Artigos destacou ainda que o BC não têm financiamentos com juros. A única taxa que existe, de 1%, é cobrada se a pessoa quiser resgatar totalmente o dinheiro aplicado para investir em outro mecanismo de apoio financeiro. “A perspectiva não é de lucro, da mais valia; é somente fazer com que a riqueza circule, porque a gente acredita que dividir é mais. Na verdade, a gente está dividindo para multiplicar, somando e não diminuindo nada das nossas riquezas, porque é outra lógica”, afirmou.

Palhasseata

Encerrando o Encontro Internacional de Palhaços, na próxima segunda-feira (10), quando se comemora o Dia do Palhaço e também da Declaração dos Direitos Humanos, os participantes do evento realizarão um grande cortejo, ou palhasseata, que percorrerá da Cinelândia até a Praça Quinze, região central da capital fluminense. O tema da palhasseata é “o direito de ser feliz a partir da brincadeira, da festa, do compartilhamento, da coletividade”, disse Artigos.

O projeto tem apoio cultural do Serviço Social da Indústria (Sesi), por meio do edital Sesi de Fomento às Artes, além de parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc Rio), Prefeitura de Niterói, Prefeitura do Rio e Fundação Nacional de Artes (Funarte).

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