Cada um no seu quadrado

Tenho ouvido essa frase por onde viajo. A frase tem a ver com cada um por si, os outros que se danem ou como costumo dizer, o grito de guerra dos egocêntricos e dos egoístas. Simplesmente a resposta de quem não se importa. Isso é o reflexo de uma sociedade cada vez mais despersonalizada, menos humana e mais solidariamente fracassada.

A sociedade sempre articula um jeito de separar as pessoas em grupos, fazendo distinção o que ocasiona uma exclusão ou afastamento social. Aqueles que não se enquadram no padrão “normal” imposto pela sociedade são muitas vezes discriminados e desrespeitados, seja pela cor, pelas características ou deficiências físicas, mentais, religião, nacionalidade etc.

Esse pensamento retrógrado e destrutivo não surgiu do nada, é mais uma herança suja e aceitada que recebemos dos nossos antepassados. Na Idade Média, pessoas que nasciam com deficiência física eram consideradas bruxos ou hereges e, consequentemente, eram mortos, ou então, eram usados como “bobos da corte”. Um exemplo menos antigo e mais perto de nós é a exploração de índios e negros aqui mesmo no Brasil. Foi uma luta amarga para conseguirem dar alguns passos para chegarem onde estão.

Muitas vezes não podemos ajudar um amigo, ou uma pessoa que gostamos e até mesmo uma pessoa distante com a qual não temos intimidade. Mas daí usar estes termos e o tal “cada qual no seu quadrado”. É muita indiferença. O que queremos dizer afinal? O que nosso coração quer expressar? É isso o melhor de nós? No mínimo podíamos pelo menos silenciar ou externar nosso apoio. Mesmo que a agonia do outro tenha sido causada pela sua própria imprudência, apoiar nunca é demais. Principalmente, porque quando somos solidários é a nós mesmos que fazemos o bem maior. E aí, o melhor de nós vem para fora. E em tempos de crise esses sentimentos de indiferença afloram mais ainda. E a gente não pode se deixar contaminar.

Todos nós não somos obrigados a fazer nada além do que sentimos ou podemos. E devemos ser francos com as pessoas acerca das nossas impossibilidades. Ninguém é super-herói. Acontece que muitas vezes vivemos uma vida de fachada. E ter de ser expor e muitas vezes admitir que fracassamos no amor, temos dificuldades financeiras, temos sonhos não vividos ainda ou que sentimos solidão tanto quanto o outro, nos custa muito. A melhor maneira de sair-se é dizer: Cada qual no seu quadrado! Mas, isso não é bom. Abrir o coração é melhor.