Câmara adia, de novo, revogação de Título de Cidadão Piracicabano a Lula

A Câmara de Piracicaba adiou pela segunda vez a discussão de um projeto de decreto legislativo que revoga o Título de Cidadão Piracicabano concedido ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2013. A proposta já havia sido levada a plenário em dezembro do ano passado — quando o petista visitou a cidade — e acabou suspensa por cinco sessões. A prorrogação, desta vez, será por 10 reuniões ordinárias. Realizada anteontem, a sessão foi marcada pela presença de militantes petistas e por discursos contrários de alguns vereadores.
 
Autora do projeto, a vereador Adriana Cristina Sgrigneiro Nunes, a Coronel Adriana (PPS), voltou a afirmar que não retirará o texto. “Estamos estudando a possibilidade de um projeto que torne automática a revogação de títulos dados a pessoas que não têm idoneidade. Por enquanto, a única forma de fazer isso é votando. E cada um vota de acordo com a sua consciência. Estou mostrando a minha indignação com tudo o que está acontecendo com o país”, afirmou a parlamentar, que acabou vaiada pela plateia.
 
Antes do discurso da parlamentar, a presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel Noronha, ocupou a tribuna para criticar a proposta. “Tirar o mérito de uma pessoa para dar a outra. Isso não pode ser um debate pessoal. Revogar, neste momento, não é ético porque não foi essa legislatura que deu o título. Discutir isso me parece também perder tempo, quando a pauta da sociedade é a falta de vagas em creches e a saúde”, declarou.
 
O vereador Chico Almeida (PR) foi mais duro nas críticas ao citar o prefeito de Piracicaba, Barjas Negri (PSDB). “A vereadora que propôs essa revogação andou na campanha lado a lado com o prefeito, que tem inúmeros processos. Para mim isso é politicagem”, apontou.
 
O pedido de adiamento partiu do presidente da Câmara, Matheus Erler (PTB), que apontou a falta de trânsito em julgado da sentença — fase processual em que não há mais recursos — que condenou o ex-presidente como um impedimento para a revogação da homenagem. “Sem o trânsito em julgado, não há advogado que possa dizer que essa condenação é irreversível. Meu encaminhamento é para a retirada, mas como só a autora pode fazer esse pedido, declarou que não pretende fazê-lo e tem todo o direito de fazer isso, sugiro que seja adiada a proposta para que possamos acompanhar esse processo”, completou.
 
Sem consenso entre os parlamentares, o pedido de adiamento foi colocado em votação e acabou aprovado com seis votos contrários. Com isso, o projeto de decreto deve voltar à pauta da Câmara no final de março.