A falta de vagas de leitos do SUS em Piracicaba é uma realidade crônica. A oferta é de um leito público para cada 1.013 pessoas em média. Piracicaba conta com 365 leitos públicos nos dois hospitais, número muito reduzido para uma população de 369.919 habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2012. Os dois hospitais que atendem pacientes do SUS no município estão com a ocupação total desses leitos. A falta de vagas já contribuiu para duas mortes no prazo de uma semana de pacientes que permaneceram longo tempo nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).
Quem precisa de transferência para hospitais, depois de passar pelo atendimento nas UPAs, sofre com a longa espera. Há aproximadamente um mês, um metalúrgico que estava com suspeita de H1N1 permaneceu mais de dois dias em um consultório adaptado como quarto de isolamento na UPA Piracicamirim. A transferência somente ocorreu após a família procurar a imprensa para denunciar o fato. A mesma longa espera por um leito hospitalar afeta outras três unidades — Vila Sônia, Vila Cristina e Vila Rezende, além da COT (Central de Ortopedia e Traumatologia).
As próprias instituições confirmam que os leitos não ficam ociosos nunca. Assim que um é disponibilizado, é comunicada a Central de Vagas e em seguida um paciente que aguarda vaga segue para internação. Mas o número reduzido não atende a demanda de pessoas que dependem exclusivamente do SUS. As autoridades prometem pedir a ampliação das vagas de internação hospitalar, mas enquanto isso, a população sofre. Além da doença e da dor, muitas vezes precisam ficar na fila de espera para conseguir internação. A espera vai além da fila por uma vaga. A espera da população é que o problema seja solucionado, com políticas públicas que resolvam a questão, definitivamente.
