quinta-feira, 27 de novembro de 2014
  

Mães sofrem com falta de vagas em creches

Marina Coltro e Ângela Pessoa
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013 13h52

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Piracicaba atende 37,5% das crianças com idade de 0 a 4 anos em creches da rede municipal de ensino. A população dessa faixa etária é de 22.708 crianças e estão matriculadas em creches públicas mantidas pela prefeitura 8.530, segundo dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). Na região, a cidade que atende o maior número de crianças em creches públicas é Águas de São Pedro, que tem 125 nessa faixa, 101 matriculadas. Em Rio das Pedras são 2.140 crianças em idade de frequentar creches e destas, 398 estão efetivamente nas instituições públicas. Já em Charqueada são 1.057 crianças nesta faixa etária e 44 matriculadas na rede municipal. Os dados fazem parte do Sistema de Informações dos Municípios Paulistas. Não estão incluídas nestes números as crianças que frequentam creches da rede privada de ensino.

A falta de vagas faz com que muitas mães deixem de trabalhar, gerando outros problemas sociais e não integrando a PEA (População Economicamente Ativa). As mães precisam buscar alternativas como recorrer a parentes ou vizinhos para deixar as crianças, que acabam não exercendo atividades pedagógicas. A secretária Juliana Oliveira Batista, 26, deixou o trabalho em julho porque não tinha com quem deixar sua filha de 10 meses.

“Eu tento a vaga na creche desde o começo do ano, quando ela nasceu”, relatou a mãe. Quando fez a inscrição, sua filha era a número 5 na fila de espera, mas ninguém até agora chamou Juliana. Ela foi informada que havia crianças desde 2012 na espera por vagas. Como não poderia ficar sem trabalhar, Juliana voltou em setembro ao mercado de trabalho e precisa deixar a filha com a sogra que, além da idade avançada, possui problemas na coluna. A secretária explicou que não tem condições financeiras para pagar uma babá ou escola particular “Cada vez que ligo para saber se vou conseguir a vaga eles informam uma data diferente e, se conseguir, será meio período o que não vai me ajudar”, disse. A creche que está cadastrada sua filha é a Antonia Jesuína Camilo Pippa, localizada no bairro Santa Rosa.

A vendedora Ana Paula Piologo Batista, 39, tenta vaga na creche Enedina Lourenço Vieira, localizada no bairro Planalto, para sua filha que tem 1 ano e 6 meses “Ela está cadastrada na lista desde janeiro, mas ainda não apareceu nenhuma vaga”, informou. Por isso, leva sua filha com ela ao trabalho. “Uma vaga para meio período já resolveria metade do problema”.

Tayane Cristine Ramal Estefani, 23, disse que não pode trabalhar porque não tem condições de pagar uma babá. “Como moro aqui desde maio, não conheço quase ninguém e não tem vaga para minha filha” afirmou. A criança tem 2 anos, e Tayane foi informada pela creche que a inscrição pode ser feita em apenas uma unidade. Como as outras mães, a creche informou que ela deve ligar para saber se há vaga em 2014.

Para a auxiliar administrativa Karina dos Santos Erler, 33, conquistar matrícula em período integral é impossível. “Entrei com o pedido em 2012. Somente em maio de deste ano consegui matrícula para meio período”, disse. Mas, Karina informou que a oferta de escola em período parcial não resolveu seu problema. Isso porque tem apenas uma hora de almoço e nesse horário precisa buscar o filho na creche São Vicente de Paulo, que fica no Bairro Alto. Seu filho tem 1 ano e 10 meses e fica com a sogra no período da tarde. Em janeiro, Karina vai entrar com o pedido do Bolsa Creche em 2014.

OUTRO LADO - As prefeituras da região justificaram e explicaram os dados da Fundação Seade. A Prefeitura de Águas de São Pedro contestou os dados e alegou que a EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) atende hoje 100% da demanda. Segundo a administração, das 190 crianças matriculadas na rede municipal, 30 são do município vizinho, São Pedro, já que algumas mães trabalham em Águas.

A secretaria de Educação da Charqueada informou em nota ao JP que atende nas creches a faixa etária até 3 anos. Com quatro anos, a criança já frequenta na cidade a Educação Infantil. Quanto ao baixo atendimento de 0 a 3 anos, a Prefeitura de Charqueada atribui a baixa procura das vagas pelas mães e explicou que na área central atende toda a demanda. Segundo o órgão, não há lista de espera para as crianças que residem no Centro. Os bairros periféricos Santa Luzia, Recreio e Paraisolândia são atendidos na Unidade Escolar Braz Giuseppe Fedrigo, no bairro Santa Luzia. Para estes locais há lista de espera, mas o número não foi informado.

O JP entrou em contato com a Secretaria de Educação de Piracicaba e até o fechamento desta edição não houve resposta. Em nota, a Secretaria de Educação de Rio das Pedras afirmou que atualmente existem cinco creches na cidade. 



Leia a íntegra da reportagem na edição impressa do JP ou no JP Virtual
 



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