Capacidade do Sistema Cantareira chega a 50% em janeiro

O nível do Sistema Cantareira atingiu 50% de sua capacidade por causa das chuvas registradas em janeiro. A expectativa dos técnicos do Consórcio da Bacia PCJ (dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) é que a capacidade do sistema — que garante o abastecimento da Grande São Paulo e da Região de Campinas — atinja 65% entre abril e maio, o que pode garantir mais tranquilidade durante a estiagem, que vai de maio a outubro. Também houve uma reversão das expectativas de uma estiagem mais severa neste ano porque o fenômeno La Niña sobre o Oceano Pacífico perdeu a intensidade.
 
Choveu acima da média histórica em janeiro. “Hoje, a capacidade é de 50% do volume útil. Ainda estamos em estado de atenção, olhando diariamente para a questão do volume de água do Sistema Cantareira. Espero que o sistema, no final de abril e maio, esteja em 65% do volume útil, para que seja armazenado, o que traz tranquilidade razoável para passar a estiagem de maio a outubro. Com 65% ou mais dá para dizer que teremos um período de estiagem tranquilo, sem grandes sobressaltos”, disse o coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José César Saad.
 
Janeiro terminou com 276,6mm (milímetros) de chuvas na bacia de drenagem dos rios do sistema, 5% a mais do que a média histórica de 263mm. Em dezembro, choveu 128mm, bem abaixo da média de 220mm. Em novembro, choveu 163,7mm, acima da média de 161mm. Os formadores do rio Piracicaba — Atibaia e Jaguari — ajudam a abastecer o Cantareira. Na pior crise hídrica do Estado, em 2014, os municípios entraram em estado de alerta, com implantação de ações para reduzir o consumo de água e melhorar e aumentar a reserva.
 
Em novembro, a expectativa era de uma estiagem mais severa. “O efeito La Niña era para uma estiagem mais severa para esse ano. No final de dezembro se enfraqueceu. As águas do Oceano Pacífico esfriaram progressivamente e tiveram suas temperaturas aumentadas. Se vem com menor intensidade, a estiagem vai acontecer dentro da média”, traduziu.
 
 
ROBUSTO — A Sabesp informou que não existe motivo para preocupação. “A companhia tem hoje um sistema de abastecimento mais robusto do que o existente poucos anos atrás, com mais interligações entre os sistemas que abastecem a Grande SP e maior capacidade de tratamento de água. Há também que se festejar a mudança do padrão de consumo da população da Região Metropolitana de São Paulo, atualmente em média 15% menor do que antes da crise hídrica”, traz a nota.