Capitão Gomes: da política para o futebol

persona Vereador conta em entrevista da sua história política e da vontade de ser presidente do XV de Piracicaba. Foto: Claudinho Coradini/JP.

Carlos Gomes da Silva nasceu em Lorena (SP), em abril de 1943. É filho de Antonio Gomes da Silva e Carmelina Maria da Silva, casado com Rosa Sacchi Gomes da Silva com quem teve dois filhos: Carlos Henrique Sacchi Gomes da Silva e Simone Sacchi Gomes da Silva. Mudou-se para Piracicaba em 1971 e, atualmente, reside no bairro Nova Piracicaba. Tem ensino superior completo em Administração de Empresas, pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), e especialização em Teoria Superior de Finanças, também pela Unimep. Pertenceu ao Exército Brasileiro de 1962 a 1995, com passagens por Lorena (1962), Três Corações (1963), São Leopoldo (1964), Presidente Prudente (1966), Piracicaba (1971 e 1989), Campinas (1981) e Ribeirão Preto (1986). Ingressou na política em 1995, filiado ao PP, seu atual partido, na época a sigla era denominada PPB. É presidente do Diretório Municipal do partido desde 21 de março de 1998 e disputou as eleições para vereador em 1996 (eleito), 2000 (suplente), 2004 (eleito), 2008 (eleito) e 2012 (eleito), para deputado estadual em 2002 e para deputado federal em 2010.
Nas eleições de 2012, recebeu 2.457 votos e foi o 14º candidato a vereador mais votado entre os 23 eleitos. Concorreu pelo PP, partido que apoiou o prefeito eleito Gabriel Ferrato (PSDB). Ocupou a primeira secretaria da Mesa Diretora de 1999 a 2000 e de 2009 a 2010 além de ter integrado as Comissões da Câmara: de Finanças e Orçamento (1997 a 1998); Educação (2009 a 2010); e Meio Ambiente e Desenvolvimento (2011 a 2012). Popularmente conhecido como Capitão Gomes, o vereador, que exerce o seu quinto mandato, concorre a presidência do clube de futebol XV de Piracicaba. Para a seção Persona ele fala sobre as suas propostas, sua carreira como vereador e, também, da sua vida pessoal.

Quanto tempo está na câmara de vereadores? Quais são os seus principais projetos?
Estou na política há cinco mandatos, sou vereador há quase 20 anos. Tenho diversos projetos, mas tem um que toda a cidade reconhece: queimava-se muita cana em Piracicaba. Em 2005, travei uma dura batalha para proteger o meio ambiente, contra a queima indiscriminada da palha da cana. Desde então, tenho atuado junto a órgãos do executivo estadual e do judiciário para limitar e barrar a agressão ambiental. Um tempo depois a juíza federal Daniela Paulovich de Lima, titular da 2ª Vara Federal na cidade, determinou, em decisão liminar, a suspensão de todas as licenças e autorizações expedidas pela Cetesb (Companhia Tecnológica de Saneamento Ambiental) e pelo Estado de São Paulo que autorizavam a queima de palha de cana-de-açúcar na região, bem como a paralisação imediata de eventuais atividades de queima. Em caso de descumprimento da decisão a multa diária era de R$ 50 mil. Para o bem da população e de toda a região espero que essa decisão seja mantida, pois ela é extremamente importante. Não há dúvida que as queimadas prejudicam a capacidade respiratória da população, principalmente de crianças e idosos. Na época muitos lutaram contra, mas isso foi o que me deu forças. Antes eu era inimigo dessas pessoas, agora sou amigo. Também tenho um projeto na área de telefonia celular. Ninguém abre mão de um celular, mas ninguém quer torre de celular na frente da casa, porque além de desvalorizar a propriedade, o pessoal tem medo de radiação. Houve um embate entre operadores e moradores e eu fui capaz de intermediar esse conflito. Os cientistas que contatamos conseguiram convencer que o índice de radiação é bem menor do que é proibido pela Organização Mundial da Saúde. Fizemos um trabalho junto as operadores que modernizaram equipamentos, a praça próxima do Terminal Central, por exemplo, tem um orelhão que é transmissor de antena celular, as pessoas não sabem disso, mas existem muitos tipos de poste que são pequenas antenas transmissoras para melhorar a qualidade de recepção. Com isso conseguimos evitar o confronto e esse é um outro importante que eu exerci na Câmara. Outro projeto foi que antigamente a indústria do plástico costumava colocar bisfenol na composição das mamadeiras das crianças e o bisfenol é uma substância altamente cancerígena. Nossa luta resultou na proibição municipal desta substância e um tempo depois a Anvisa proibiu em todo o território nacional.

Quais os maiores feitos como vereador?
Eu tenho um trabalho social muito importante, mas gosto de ver as coisas acontecerem e não gosto de propagar, subir na tribuna e anunciar para todo mundo. Já sorteei cinco carros na cidade em prol de instituições de caridade e farei o mesmo com o XV. Promovo um sorteio de um carro, faço rifas de R$ 10 cada bilhete e de cada 10, três é para pagar o carro na agência, e, os outros sete vão para a instituição, para ajudar a entidade. Essa minha estratégia nunca deu prejuízo e sempre deu lucro. Esse meu trabalho facilita e acredito que tenho credibilidade. Gosto de ajudar, temos hoje mais de 300 garotos do futebol de várzea que ajudo, garotos que gostam de futebol. Quando for presidente do XV, quero ajudar essa garotada. Se eles estiverem em uma situação ruim, vou insistir ainda mais. Sei que farei muito bem o meu trabalho. Além disso, penso em criar o sub-23, para o garoto que já passou da idade profissional e ninguém quer mais. É esse que eu vou treinar e que vai disputar a Copa Paulista em 2020. Garoto de 25 anos serve sim para o jogar futebol, mas eles precisam de oportunidade, de alguém que acredite neles. Eu pretendo ser esse alguém.

Porque decidiu atuar na carreira politica?
Sempre ocupei cargos dentro do exercito, onde permaneci por 35 anos antes de me aposentar. Só em Piracicaba mais de dois mil meninos foram instruídos por mim. Muitos deles se tornaram pessoas influentes, um dia chamei atenção, no outro aconselhei, abracei e contei piadas. Conheci a família de muitos deles, que inclusive, estão no meu dia-a-dia, na qual pude dar uma palavra de encaminhamento, de moral, de ensinamento em respeito ao pai e à escola. Hoje, grande parte são empresários e donos de empresa. Quando decidi entrar para a politica fiz uma relação com todos esses meninos, ia até eles e dizia que pensava em concorrer a carreira politica e pedi o apoio desses amigos, que me garantiam voto porque já conheciam o meu trabalho. Sabiam que exerceria um bom mandato. Meu dia-a-dia sempre foi envolver-me com política, trabalhei com generais importantíssimos, sempre gostei desse mundo, de ajudar as pessoas. Pedi ajuda a todos os meus amigos, para a família deles e na primeira eleição gastei apenas R$ 1.500 e angariei 1985 votos. Fui eleito pela amizade, a minha campanha foi diferente.

Qual é a coisa mais importante na sua vida?
Eu sou cristão e acredito que não vamos a lugar nenhum sem o auxílio de Deus. Por isso, peço sempre à Deus que me ilumine. Se Deus me deu autoridade preciso de sabedoria para exercê-la. Que eu nunca fale bobagens. Sou católico, mas também gosto muito do espiritismo, procuro tirar mensagens bonitas para os meus dias. Pretendo tocar muito a vida das pessoas, sem o auxílio divino não sou capaz. Não importa a religião, o importante é ter Deus no coração. Temos que partilhar as coisas boas, somar a alegria e dividir as tristezas. Não pensar em nós mesmo e sim no próximo. A constituição brasileira se resume à um só mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. Não vou agradar todo mundo, mas procuro despertar o melhor em cada um e viver constantemente buscando o aperfeiçoamento. Tudo que fizermos voltará para nós mesmos.

Você declarou que, caso eleito, que pretende colocar o XV de volta a elite do Campeonato Paulista e subir a equipe a série B do Brasileirão. Como pretende fazer isso?
Meu objetivo é tornar o XV reconhecido e respeitado como clube profissional nos cenários nacional e internacional do futebol, valorizando princípios éticos e tornando-se referência no esporte. Quero conquistar novos títulos, valorizando os atletas e respeitando a torcida. Além de contribuir na formação de cidadãos mais conscientes e participativos por meio da prática do esporte. Profissionalismo, valorização dos colaboradores, trabalho em equipe, respeito ao torcedor, compromisso, inovação e determinação são os meus principais objetivos. Minha meta é fazer com que o XV dispute o Campeonato Paulista da Série A2, consiga a classificar para Campeonato Paulista da Série A1, em 2020; dispute a Copa Paulista e se classificar para o Campeonato Brasileiro da Série D em 2020, e em 2021 faremos a manutenção do XV na Série A1. Disputar o Campeonato Paulista da Série A1, disputar o Campeonato Brasileiro da Série D e classificar o XV para a Série C em 2021, além de participar da Copa Paulista com a equipe Sub 23 e buscar a classificar do XV para a Copa do Brasil em 2021. Meu objetivo é buscar a profissionalização da gestão do futebol e obter o sucesso financeiro do XV. Isso só será atingido com o investimento nas categorias de base e no planejamento a longo prazo. O planejamento a longo prazo, que requer a manutenção de um time base e de um treinador é muito difícil de se executar. Com a mudança da presidência, a cada dois anos, as gestões não conseguem ser perenes e estáveis, prejudicando o futuro do XV. Carência de campos adequados dificulta a formação e a manutenção de boas equipes. A transparência nas finanças é fundamental para o sucesso junto aos torcedores. O XV deverá ter um jeito específico de jogar e, para isso, trabalhará nas categorias de base e profissional de forma alinhada, utilizando os mesmos conceitos táticos. Time entrosado voando e forte. Para ter retorno é preciso ter um time vencedor, a cidade precisa abraçar o XV.

A categoria de base é muito importante em clubes do interior. Como você pretende gerenciar este departamento? Já tem nomes que poderão comandar este setor do clube?
O Dinival Tibério será diretor nosso de futebol amador, ele tem um conhecimento muito grande na várzea e sabe quais atletas podem ter valor nessa faixa etária. O XV vai se aproximar do futebol da cidade. Formando o atleta desde o começo o XV desenvolverá sua cultura esportiva. Pretendo Investir na categoria de base, formando o jogador que será a base do elenco. Isso é muito mais barato do que a contratação de um jogador que já “pronto”. A criação de uma cultura e o investimento de base culminam com a necessidade de pensar o futuro do XV a longo prazo. A base deve ser enxuta, com atletas somente de Piracicaba, prevalecendo sempre o critério técnico, e não o da indicação, seja de quem for o parecer favorável deve ser assinado pelo técnico, pelo auxiliar, pelo supervisor e pelo captador, além do aval do Presidente do Clube. A força da base deve estar no início, com uma quantidade maior de atletas nas categorias de baixo, categoria Sub 11 (de 10 a 12 anos), afunilando posteriormente, nas categorias Sub 13 (de 12 a 14 anos). As categorias sub 11 e sub 13 tem um perfil bem específico sendo, portanto, um divisor de águas para atacar o déficit comportamental, físico, técnico. Antes de mais nada, o técnico da base tem que ser educador, paizão, amigo, professor, e depois vai ser treinador. Tem que ser carismático, não falar palavrão, ter experiência e ser exemplo de vida. Acompanhar o atleta com atenção especial nas categorias Sub 11 e Sub 13, até o sub-15. Trabalhar muito o atleta com uma estratégia interna de acompanhamento de testes técnicos.

Recentemente você declarou que seria capaz de unir novamente a cidade em torno do XV de Piracicaba. Porque você se considera um nome capaz de fazer essa união e como pretende fazer isso?
Sozinho não me considero capaz, mas a equipe que está comigo é muito competente. Minha equipe é profissional, já viveram o futebol, tenho que ter humildade de aceitar de que talvez a ideia do outro seja melhor que a minha. Não podemos falhar, está todo mundo acreditando nisso, agora é a nossa chance. Minha candidatura é semelhante a eleição do Bolsonaro, que, como eu não tem o direito de falhar. Temos uma responsabilidade muito grande, a cidade está esperando o XV se reerguer, se ele estiver forte o comércio ganha, os hotéis ganham, a rua do porto ganha. Todos querem um XV forte, bonito. O futebol é emoção, o povo quer saber de time forte. Precisamos focar em questões mais importante, depois, quando o XV for vencedor tudo virá a nosso favor, com técnico de ponta, time bom e uma base forte seremos reconhecidos internacionalmente. Procurei me acercar de gente competente para exercer uma excelente presidência e farei isso. Sou um homem disciplinado, fui criado para receber ordens. Sou militar e honro a minha palavra.

Vivemos um novo momento no país e, recentemente, com a eleição de Jair Bolsonaro muitas melhorias são esperadas pela população. Como você avalia esta ‘nova política’ do presidente eleito e como você acredita que será o futuro do país?
Bolsonaro é o meu amigo, acho ele um homem muito leal, apesar do estilo de falar demais. Mas ele é um cara sério, militar, falou e cumpre. O que vejo de mais positivo é o fato de que ele não é corrupto, então manipulação para lavar dinheiro não vai ter chance no governo dele, ninguém tem coragem de tentar subordinar um militar, a formação de berço que ele trás é de homem correto, assim como eu ele está se cercando das melhores pessoas, pessoas leais que irão fazer o bem. Estou confiante que o país irá melhorar muito, a politica dele é em benefício da população. Problema vai ter mas ele saberá resolver, o povo quer segurança, tranquilidade, emprego, e como consegue isso? Acreditando que agora vai, o momento de mudar é agora e precisamos acreditar em um Brasil mais forte. Bolsonaro não pode falhar ele é a nossa última esperança. O povo precisa acreditar que vamos mudar. Tenho confianças que ele cumprirá o que prometeu, essa é a nossa chance e se Deus quiser vai dar certo. O Brasil é um só somos todos irmãos e devemos torcer. Se estivermos em um avião e detestarmos o piloto isso não interessa. Temos que rezar para ele ir bem porque se o avião cair está todo mundo morto. Tinha um general que perguntava na brigada se todo mundo estava junto no mesmo barco. Respondíamos que sim, que estávamos no mesmo barco e ele dizia então que não bastava estar no mesmo barco, era preciso remar na mesma direção.

Você também é militar. Conte um pouco sobre sua carreira no exército e como você surgiu para a política?
No início eu não queria, jogava futebol no colégio Salesiano e tivemos um desentendimento com um padre. Foi então que resolvemos montar um time, mas não tínhamos onde treinar. Na minha cidade tinha um quartel, pedi para falar com o coronel e contei que havíamos montado um time de futebol e não tinha lugar para treinar, ele perguntou se o time era bom e dissemos que sim, ele nos autorizou a treinar. Sempre fui baixinho e quando meu time foi convocado para o alistamento todo mundo foi dispensado exceto eu. Chorei muito, pedi para ser dispensado, mas não adiantou. Segui carreira no exército por onde fiquei por 35 anos.

Você acredita que o ‘reflexo Bolsonaro’ deve influenciar as próximas eleições municipais? Porque?
Não sei como está o partido dele em Piracicaba, mas como time de futebol, todos querem estar em time vencedor. Se ele for bem nesses próximos dois anos, acredito que sim, se ele se destacar, o partido dele tem condições de se solidificar em todo o estado de São Paulo, principalmente em Piracicaba, onde temos vários militares. Piracicaba não vai virar quartel, eu fui militar, não sou mais, uso a patente porque é como capitão que todo mundo me conhece. Nós militares somos homens de palavra e de honra intacta.

(Raquel Soares)