Caravana de afetos de Chico desembarca no Rio

Teve histeria, teve “Fora Temer” e “Olê olê olê olá, Lula Lula”, mas está computado nos dados oficiais: um show de Chico Buarque nunca será igual a outro. A turnê Caravanas, lançada há três semanas em Belo Horizonte numa atmosfera marcada pelos ecos das disputas políticas, estacionou no Vivo Rio na noite de quinta, 4, com o mesmo repertório da estreia; no entanto, na cidade do compositor, seus afetos sobressaíram.

Saudoso, e ávido por ouvir Chico engrossar o coro anti-Temer que marcou a parte final do espetáculo (“Fora Temer quer dizer pra eu voltar, é isso?”, ele brincou, antes do bis), o público carioca, que lotou a casa, acompanhou menos do que gostaria as escolhas do set list. Chico trouxe de volta músicas que só os fãs mais dedicados conhecem, como A Bela e a Fera e Outros Sonhos, afora as do CD homônimo.

O compositor tocou em diferentes momentos de sua obra de mais de 50 anos e pinçou faixas que prestigiara na última turnê – Chico, de um longínquo 2011 -, como Geni e o Zepelim e Injuriado, e outras que já não interpretava, como Palavra de Mulher e A História de Lily Braun.

Ele enterneceu a plateia ao saudar os parceiros Edu Lobo (A Moça do Sonho), o neto Chico Brown (Massarandupió), Cristóvão Bastos (Todo o Sentimento e Tua Cantiga), o companheiro de “tantas jornadas e momentos felizes”, seu baterista por 30 anos, Wilson das Neves (Grande Hotel), que morreu cinco meses atrás, além de Tom Jobim (Retrato em Branco e Preto e Sabiá, e menção no tributo à música brasileira Paratodos, que fecha o show).

“Nesses mais de 50 anos, eu me cerquei bem. Fiz letras para músicas que gostaria de ter escrito”, disse, carinhosamente, referindo-se a Edu e Tom.
Se em 2011 o novo amor do homem maduro dava o norte, a crítica social ao “Rio do lado sem beira”, que se destaca em Caravanas, tomou o palco em Estação Derradeira. O Vivo Rio ovacionou Chico tanto nas canções de corações encandecidos quanto nas de desaforo e desamor, ora endossando seus sentimentos de outrora, ora os dos tempos nada delicados das redes sociais.
O chamado às ruas de Minha Embaixada Chegou, que abriu a noite, e a gaiatice de Mambembe e Partido Alto tiveram eco em A volta do Malandro e Homenagem ao Malandro, essas entoadas com entusiasmo.

Acompanhado por Bia Paes Leme (teclados e vocais), Jorge Helder (contrabaixo), Marcelo Bernardes (flauta e sopros), Jurim Moreira (bateria), João Rebouças (piano) e Chico Batera (percussão), sob o comando de Luiz Claudio Ramos (maestro, arranjador e violonista), Chico chega a São Paulo em março. No Rio, os shows extras vão até 4 de fevereiro, e ainda há ingressos à venda.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.