Carnaval e Campanha da Fraternidade

Este ano, com o tema Fraternidade e Superação da violência e o lema Vós sois todos irmãos (Mateus 23,8), teve início em 14 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade de 2018, na sede da CNBB, em Brasília.
 
O Carnaval, aos moldes das notícias da TV, trouxe lembranças de lindos carnavais de outrora e informações diversas. Trouxe novamente alegrias nos rostos e nos corpos de todos os tipos de pessoas, nas fantasias coloridas, umas sumárias e outras de grande beleza, no samba e nas danças locais surpreendentes com ritmos contagiantes e de enorme sonoridade, lembrando que é Carnaval, a festa do povo, onde muitos “botam pra quebrar”, esquecendo tantas aflições e desentendimentos, contas a pagar, sorrisos displicentes e gargalhadas absurdas e exageradas, desilusões, problemas a resolver, ficando tudo absorvido nas horas de folia que seriam tão belas se pudessem antever um futuro com mais esperança, dignidade e lucidez, que nosso público precisaria urgentemente conseguir!
 
Particularmente, essa seria uma festa linda de descontração e alegria, que um dia surgiu inocente e feliz com a liberdade de dançar nas ruas e a euforia encantada repleta de confetes e serpentinas, palhaços, baianas, arlequins e colombinas (que quase nem existem mais…) e esse barulho todo no reboar dos tambores, das cuícas, dos pandeiros, apitos e tamborins. Mas, que o autor dessas linhas estancou perplexo, sem saber responder à pergunta: “Nessa hora dos tristes acontecimentos, o que justifica esse contentamento rebolante e barulhento?”
 
Nesta época dos acontecimentos, onde parece estar o povo brasileiro em grande perigo pelos disparates de maus governantes e políticos desonestos, que disputam na indignidade e se acotovelam para cada um fazer seu mal maior? 
 
Conclusão que, nos tempos atuais, com tamanha falta de Justiça, compreensão e até de misericórdia, isso só poderia se chamar “fuga”. Fuga dos desrespeitos a que tantos são submetidos. Fuga das ansiedades e sonhos desprezados que provocam tanta dor e descrença no amanhã. Fuga das responsabilidades que se deve ao próximo, ao “outro” nosso irmão e que acaba ficando num balançar de ombros, ou num “deixa pra lá, que se virem…”. Fuga que anestesia, ignora e não deixa pensar no sofrimento alheio e nas obrigações a cumprir e que não são cumpridas… Fuga, fuga, tudo fuga! 
 
E… Nem pensar que seríamos chatos ou desmancha prazeres, pois, como se poderia responder além de tudo à violência que quebra, destrói, incendeia, estupra, sequestra e mata sem mais nem menos ao simples toque de um puxar de gatilho enlouquecendo e destruindo famílias inteiras, sem mais nem menos, tratando vidas como lixo ou objeto sem nenhum valor!
 
Surge, então, a seriedade da Cultura da Paz, que a Campanha da Fraternidade se propõe este ano no trato melhor e mais ativo, que pretende atingir cada ser humano no acolhimento de todo cidadão, sua saúde física, espiritual e mental, no respeito e cuidados de suas carências e necessidades e na atenção do melhor que cada um puder fazer com consideração, seriedade e afinco em direção a todos os seres humanos, pois, como já frisou nosso querido papa Francisco “a violência não vem de Deus” e a campanha que ressalta este ano no Evangelho de Jesus Cristo, no capítulo de Mateus, “vós sois todos irmãos!”.
 
 
Maria Helena Corazza é escritora e ex-presidente da Academia Piracicabana de Letras