Cenário nebuloso

Saiu ontem mais um levantamento do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, que mensura o saldo de empregos — admitidos x demitidos — daqueles que têm carteira assinada. O saldo foi de 329 vagas geradas em janeiro e fevereiro, ou seja, uma média de quase 165 vagas por mês. O saldo de vagas em fevereiro deste ano foi de 110, mais que o dobro de fevereiro de 2017, quando o saldo foi de 51 vagas.
 
 O saldo não foi suficiente para soltar rojão, mas pode servir de alento para quem está desempregado. Nesta edição, o economista Francisco Crocomo reforça o que já disse mês passado à reportagem. Fez uma análise positiva. Aponta uma recuperação lenta do mercado de trabalho. Mas como o município havia perdido 8.000 vagas nos últimos três anos, os dados servem como um alívio.
 
O que tem preocupado as autoridades é a anunciada demissão de 600 trabalhadores da Mondelez Internacional, fabricante dos biscoitos Nabisco — segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação serão dispensados mais de 700. As demissões começarão mês que vem. Como os desligamentos serão diluídos até agosto deste ano, os impactos serão sentidos nas estatísticas nos próximos cinco meses. Resta saber se esses funcionários serão absorvidos pelo mercado de trabalho rapidamente — o que é imprevisível.
 
Tanto Crocomo quanto o presidente do Conselho Municipal do Emprego, Paulo Estevam de Camargo, demonstraram preocupação com os próximos meses, principalmente por causa das eleições para presidente da República. Normalmente funciona assim: o empresário que tem capital para investir em uma nova empresa ou que pretende ampliar sua produção não vai investir neste momento de incerteza. Vai aguardar a definição de quem ocupará o cargo de presidente para investir e contratar mais empregados. 
 
É bom lembrar que o Caged é o termômetro apenas para a criação de empregos formais, com carteira assinada. Os trabalhadores que partiram para a economia informal não vão entrar nesta conta. O cenário ainda é meio nebuloso.
 
Em resumo, será muito difícil, neste momento, a cidade recuperar as vagas fechadas nos últimos anos. Essa recuperação será gradual. E o aumento do saldo vai depender — e muito — dos resultados das urnas em outubro, tanto ao Governo do Estado quanto no Governo Federal. E claro, de uma política consistente de crescimento da economia a curto, médio e longo prazo. (Claudete Campos)