Censo apontará números de moradores de rua

A Semdes (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social) realizará uma espécie de “censo” para quantificar e traçar o perfil dos moradores de rua de Piracicaba. Ainda não há uma previsão sobre o início dos trabalhos, apenas que será executado este ano. Esse censo é realizado a cada dois anos. No último levantamento, feito em 2016, foram entrevistadas 181 pessoas, das quais 71 estavam em situação de rua. Uma entidade que presta atendimento a esse público apoia a realização como forma de ampliar o atendimento. 
 
A metodologia para fazer o mapeamento da população de rua está sendo aprimorada. “Assim que for finalizado este aprimoramento, sairemos a campo para realização do trabalho, que será divulgado em nossos meios de comunicação oficiais”, informou a secretaria, em nota.
 
O presidente do CAPHIV (Centro de Apoio aos Portadores de HIV Aids e Hepatites Virais), Paulo Soares, conhece bem a realidade dos moradores de rua. A maioria perdeu o vínculo familiar e alguns têm o vírus da Aids, informou o presidente. “Acho legal o censo para identificar esses moradores de rua. Se são piracicabanos ou não, para reintegrar, buscar apoio familiar”, disse. 
 
Soares explicou que cada morador de rua tem uma necessidade específica. Mas têm algo em comum. Sofrem com o preconceito. Soares lembrou do caso de um morador de rua que só recebeu atendimento médico após ser acolhido na casa de apoio e tomar banho e ter o cabelo e as unhas cortados. O acesso à saúde é a principal dificuldade dessa população, avaliou.“Não são todos que têm culpa de ser morador de rua. Não é porque está na rua que não presta”, ressaltou. 
 
Dependência química, desentendimentos familiares, problemas de saúde, entre outros, são as motivações para as pessoas viverem nas ruas, informou a Semdes. O censo de 2016 comprovou que a maioria era de Piracicaba. Além disso, 50% deles faziam uso de álcool e de drogas. A maioria era homens (83%). “São pessoas que utilizam as ruas como espaço de moradia e sobrevivência, pois os vínculos familiares foram rompidos. Não temos crianças morando na rua”, traz a nota. 
 
 
EMPREGO — O vereador Paulo Henrique Paranhos Ribeiro (PRB) apresentou um projeto de lei batizado de “licitação inclusiva” para que as empresas vencedoras de licitações da prefeitura contratem pelo menos 2% de moradores de rua. Em nota, o vereador disse que aumentou muito o número de moradores de rua por causa da crise econômica, mas a Semdes informou que não tem como quantificar isso.