Choques elétricos representam metade dos óbitos

Em 2017, metade dos óbitos por acidentes de trabalho registrados em Piracicaba decorreram de choque elétrico. O número foi revelado ontem por especialistas do Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador),no lançamento do projeto “Pacto pela Vida”. O objetivo é criar políticas públicas para a redução dos acidentes com eletricidade em Piracicaba e região. Segundo o órgão, só na cidade, cinco pessoas morreram por esta modalidade de acidente.
 
O técnico de Segurança do Trabalho do Cerest, Alessandro José Nunes da Silva, informou que o número de óbitos é alto, por isso a necessidade de ações de prevenção. “É crítico porque a ausência de informação e medidas básicas de segurança não vem sendo cumpridas, isso acarreta um risco muito grande para a população trabalhadora e para a nossa sociedade”, disse Silva.
 
O projeto lançado ontem, além do Cerest, é idealizado pelo MPT da 15ª região (Ministério Público do Trabalho), MT (Ministério do Trabalho), Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), Cist (Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador) e  Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo).
 
A primeira ação regional do projeto é o “1º Concurso de Redação, Desenho e Vídeo”, cujo tema será “Eletricidade com Segurança, eu me preocupo!”, que vai premiar alunos e professores das escolas públicas (municipais, estaduais e federais), além do Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Senac). A segunda atividade será a edição do Prêmio Abracopel de Jornalismo para profissionais de comunicação da região.
 
Segundo Silva, ao longo do ano acontecerão  palestras com o tema específico de choque elétricos voltadas às escolas públicas. “Nossa intenção é realizar a premiação dos concursos em 10 de outubro, data em que se comemora o Dia Nacional de Segurança e Saúde nas Escolas”, disse o técnico.
 
O procurador do trabalho da PRT da 15ª região, Everson Rossi, enfatizou que o projeto vai de encontro com a proposta do MPT de proteção do trabalhador. “O número de acidentes é altíssimo e muitas vezes pode ser evitado. O empregador deve oferecer e dar treinamento aos funcionários sobre os equipamentos de segurança, individuais e coletivos, e cobrar sua utilização. Além disso, é necessário que o trabalhador, que tem o conhecimento, utilizar os equipamentos, já que parte das mortes decorre da ausência dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva)”.