Cidade recebe mestre Maurício Soares

Grupo piracicabano fará um bate-papo com a Baiana Rica como parte de preparação para o Carnaval de 2020. (Fotos: Gabriel Albertini)

Hoje, o grupo percussivo piracicabano Baque Caipira recebe o mestre Maurício Soares, conhecido como uma das principais referências do maracatu pernambucano, em um bate papo sobre a dança do maracatu, às 19h30 na avenida Presidente Vargas. O evento é voltado para membros do grupo percussivo, porém dez vagas foram abertas para o público e ainda há vaga para ser preenchida. O encontro também servirá na preparação de danças para o Carnaval de 2020.

Maurício Soares é Baiana Rica da maior Nação de Maracatu, a Nação Estrela Brilhante do Recife. “A Baiana Rica é uma ‘personagem’ que compõe a corte real dos maracatus Nação”, informa a coordenadora do evento e batuqueira do Baque Caipira, Natália Puke. “É sempre um homem travestido de mulher e representa, dentre outras coisas, o axé manifesto em dança”, complementa. De acordo com Natália, a dança é um elemento indispensável no maracatu e em toda manifestação de matriz negra.

HISTÓRIA

O maracatu, nasceu no estado de Pernambuco e é um ritmo musical, dança e ritualístico de diversas religiões conhecido como o mais antigo ritmo afro- -brasileiro da história.

Atualmente, o maracatu é dividido em dois tipos: o maracatu nação, que tem o baque (batida) virado – um estilo de música que utiliza compassos com quatro pausa e instrumentos de repercussão – e o maracatu rural, de baque solto e conhecido uma manifestação mais folclórica e personagens. Ambos possuem cortejos (desfiles) ricos e cheios de significados.

A orquestra, normalmente, é composta por instrumentos de percussão (caixas, ganzás, gonguês, taróis e tambores) e sopro (trombones e cornetas).

BAQUE CAIPIRA

Em piracicaba, a referência do maracatu é o Baque Caipira, surgido em meados de 2013 e que possuí referências de baque virado, mas desenvolve seu estilo próprio das composições rítmicas. Integra-se na batida do maracatu diversas linguagens rítmicas, como: a música caipira, o afoxé, cururu,tambu, congada, samba de bumbo, caboclinho e samba de lenço.

Fortaleceu-se com ensaios abertos por meio do Projeto Voluntário ‘Baque Caipira na Escola’ realizado entre 2014 e 2015. Em 2018, o grupo foi contemplado pelo Proac Editais (26/2018) de Fomento às Culturas Populares e Tradicionais com o projeto “Maracatu Baque Caipira: Multiplicando Saberes”, que realizou oficinas que contemplaram a formação da percussão, da dança e da história do maracatu em duas comunidades periféricas de Piracicaba.

“Participar do Baque Caipira é acreditar na força do coletivo, fortalecer a cultura brasileira e potencializar as virtudes humanas”, enfatiza Natália Puke.

Larissa Anunciato
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