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Tradição centenária é mantida por comunidades tirolesas
Felipe Ferreira
19/03/2017 10h20
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Processo natural de tingimento é feito a partir de folhas e flores colhidas no bairro. (Foto: M. Germano/JP)

Seguindo um costume de mais de 120 anos, as comunidades trentino- tirolesas de Santa Olímpia e Santana realizam o tingimento de ovos para a Páscoa.

A tradição trazida pelos primeiros imigrantes da região do Tirol, na Itália, surgiu em uma época em que os ovos de chocolate ainda não existiam e pintar ovos de galinha com corantes naturais, a maior parte usando plantas e flores, era um meio de presentear as crianças na época da Páscoa.

Desde então, o hábito foi transmitido de geração em geração, e hoje, os “nonos” (avós ou figuras de mais idade nas comunidades), encarregam- se de passar o ensinamento aos mais novos. Além de ser utilizado como adorno das casas no período da Páscoa, mais recentemente, tingir ovos se tornou uma forma de unir as comunidades.

A brincadeira ganhou força após a elaboração de um concurso no qual os ovos coloridos são avaliados por jurados e os autores dos trabalhos mais bonitos recebem como prêmio troféus e chocolates.

A competição, que não passa de uma grande diversão, acontece no domingo de Páscoa, na praça de cada bairro, onde cerca de 150 crianças e adultos realizam, juntos, todas as etapas do tingimento.

Dono da cafeteria Café Tirol, em Santa Olímpia, o incentivador cultural Ivan Correr, morador do bairro, percebeu que os ovos coloridos usados na decoração do estabelecimento chamavam a atenção de clientes e visitantes, que se interessavam e perguntavam sobre a técnica de pintura.

“É bacana notar que as pessoas, especialmente aqueles que não são do bairro, gostam dos ovinhos coloridos. Por isso, minha esposa e eu lançamos oficinas de pintura onde ensinamos as técnicas de tingimento dos ovos. Os participantes se surpreendem quando descobrem que tudo é feito com produtos naturais e que o ovo pode ser comido, após tingido”, relatou.

Correr contou que, para obter cada cor, existe uma folha ou flor específica.

“O azul é extraído do crisântemo, o amarelo é feito a partir da macela, já o cravo de anjo resulta na cor laranja. Todas as flores são plantadas e colhidas nos jardins das casas dos moradores, que também usam bastante a beterraba, urucum, cenoura, losna e outras”, afirmou. Para quem quiser se aventurar em casa, Correr explicou o que deve ser feito.

“Primeiro se estende um pedaço de pano onde é feita uma espécie de ninho com as flores e folhas. Depois, molhe todos os ingredientes com água e coloque o ovo cru no meio desde ninho. Mais tarde, já com o ovo coberto pelas plantas, é hora de enrolá -lo no pano e amarrá-lo com um barbante, formando uma trouxinha”, disse.

Na sequência ocorre o tingimento propriamente dito.

“Esse pacotinho é colocado em uma panela com água fervente, onde permanece por cerca de 15 minutos. Depois desse tempo basta desfazer o embrulho e conferir o resultado. As plantas terão gravado suas cores na casca do ovo, o que fica realmente muito bonito”, relatou Correr.

SERVIÇO — A próxima oficina acontece no sábado. O Café Tirol fica na rua Santa Olímpia, 160, em Santa Olímpia. Informações: (19) 9.9185-8268.

 
 
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