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Idoso morre em Unidade de Pronto Atendimento à espera por vaga em UTI
Felipe Ferreira
14/07/2017 11h52
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Agrave crise instalada na rede pública de saúde de Piracicaba teve mais um episódio. Morreu na madrugada de ontem um dos expoentes da divulgação da cultura africana na cidade. Rafael Baptista Antônio, 66, Seu Faé, como era conhecido, estava internado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dr. Fortunato Losso Netto, no Piracicamirim, havia quatro dias.

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Revolta e indignação predominaram durante o sepultamento de Seu Faé. (Foto: M.Germano/JP)

No domingo, ele deu entrada na unidade, quando ingressou na fila de espera por uma vaga em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A família cogita a hipótese de omissão de socorro e avalia ingressar com uma ação judicial contra a prefeitura.

Artesão e líder comunitário Seu Faé morava há 46 anos do bairro Vila África, região da Vila Independência, onde se destacou em diversas frentes como a produção de obras de arte, pela divulgação de elementos da cultura de países de matriz africana, assim como pelo trabalho social que desenvolvia junto às famílias carentes.

Acometido por um câncer no pâncreas diagnosticado em estágio avançado, recentemente o idoso passou a reclamar de fortes dores abdominais. Mesmo assim, ele manteve suas atividades, seja produzindo artesanatos, como à frente da Afropira, entidade que resgata as tradições e a cultura negra, na qual era conselheiro.

Há cerca de um mês, durante uma reunião na Afropira o idoso teve uma crise e desmaiou. “Foi a primeira vez que o vi convalescer porque ele cuidava muito da saúde, nunca foi omisso com isso. Entendemos aquilo como um sinal e orientamos a ele e seus familiares que buscassem atendimento médico”, afirmou Elaine Teotônio, presidente da Afropira.

A partir de então, a doença, ainda não diagnosticada, progrediu. As crises o impediam de caminhar e dificultavam a alimentação. Diante do quadro, Seu Faé foi levado diversas vezes por familiares para receber atendimento médico na UPA Piracicamirim e na UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Independência.

Após uma série de idas e vindas sem diagnósticos conclusivos insatisfeitos com o atendimento oferecido na rede pública, familiares buscaram um clínico particular. O profissional solicitou exames ao idoso, procedimentos que a família tentou, sem sucesso, na rede básica de saúde.

Ao buscar novamente ao serviço particular, houve a confirmação dos tumores. A partir de então, o desejo dos familiares era que idoso fosse internado, porém, para que isso aconteça via SUS (Sistema único de Saúde), é preciso que haja o encaminhamento feito por um médico da rede municipal de saúde.

“O problema é que todas as vezes que levamos meu sogro na UPA e no postinho (UBS), o médico dizia que o caso não era de internação, porque ele não estava tão mal e que tinha gente muito pior”, disse a nora Jeovana Souza, professora e estudante de direito.

No domingo passado a saúde do idoso piorou. “Sabendo que se retornasse com ele não conseguiria a internação, solicitei uma ambulância, visto que isso aumentaria a chance dele conseguir a vaga. Porém, não tinha ambulância disponível e o levamos de carro. Lá demonstrei conhecimento da legislação e só assim concederam a vaga”, disse Jeovana.

LUTO — De acordo com a nora, Seu Faé deu entrada na UPA às 22h de domingo, porém, até as 10h de segunda-feira permaneceu em uma maca, sem receber alimentação e medicamentos.

“Foi quando ele desistiu de lutar pela vida e se entregou”, afirmou Jeovana. Na madrugada de quinta- feira, por volta das 4h, Seu Faé morreu aguardando por uma vaga hospitalar em UTI. “Faltou dignidade, atenção e respeito. Acima de qualquer coisa, meu sogro era um cidadão contribuinte que pagava seus impostos, mas foi relegado ao esquecimento. Estamos revoltados, indignados e insatisfeitos, mas não vamos nos calar”, disse Jeovana. Rafael Baptista Antônio foi velado e sepultado ontem, no Cemitério da Saudade.

Secretaria da Saúde nega omissão de socorro

A Prefeitura de Piracicaba, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, negou que tenha havido omissão de socorro no caso do paciente Rafael Baptista Antônio, Seu Faé.

“Assim que chegou à UPA Piracicamirim o paciente foi devidamente medicado e atendido em sua patologia por uma equipe médica e de enfermagem, que o acompanhou durante todo o momento em que esteve sob observação”, informou por meio de nota.

De acordo com a Pasta, a Saúde conta com uma equipe técnica ligada às UPAs que acompanha todos os casos de urgência e emergência. Até ontem, nas 24 horas anteriores, foram realizadas 39 internações hospitalares. Dessas, 28 deram entrada na Santa Casa e 11 no HFC.

Do total de internações, oito pacientes foram encaminhados como vaga zero, mecanismo que garante o atendimento hospitalar em caso de risco de morte.

ATUALIZAÇÃO — Na edição de ontem o Jornal de Piracicaba publicou o drama vivido pela aposentada Eva Alecrim, que estava internada em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) improvisada na UPA Frei Sigrist, na Vila Cristina. De acordo com familiares, após a reportagem a idosa obteve a transferência hospitalar que necessitava e deu entrada na UTI. “Depois da matéria no jornal arrumaram rapidamente a vaga que ela precisava. Estou satisfeito, mas infelizmente nem todos tem a mesma sorte que nós”, disse José Adão Rocha Alecrim, 40, filho da paciente.

 

 
 
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