Clássico do Pacífico definirá o segundo finalista da Copa América

Eduardo Vargas já marcou duas vezes nesta edição (Foto: Divulgação/Asociación Nacional de Fútbol Profesional)

Chile e Peru se enfrentam hoje, às 21h30, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. Em razão do clássico entre Brasil e Argentina na outra semifinal, esse confronto teve menos apelo dos torcedores, porém o “Clássico do Pacífico”, como é conhecido, é tão feroz quanto o clássico de ontem, que terminou com vitória do Brasil por 2 a 0, já que esse confronto foge do ambiente futebolístico e traz diversos aspectos políticos, já que os dois países estiveram na “Guerra do Pacífico”, na qual os peruanos perderam territórios para os chilenos no final do século 19.

O chileno Arturo Vidal espera uma partida difícil, porém disse que será lindo jogar. “Defender o meu país é especial e não é porque será contra o Peru que será diferente. Quando alguma equipe joga uma partida oficial contra ‘La Roja’ são partidas em que tem que dar a vida em campo. Tivemos bons resultados contra o Peru e espero que nesta quarta esse retrospecto se mantenha, porém essa partida será diferente de todas que já enfrentamos antes”, disse Vidal, ressaltando a importância deste clássico em específico.

O lateral peruano Miguel Trauco, que também é atleta do Flamengo, jogou todo o favoritismo para os chilenos, atuais bicampeões, porém ressaltou que o Peru tem condições da avançar, já que eliminou o Uruguai, que venceu os chilenos na primeira fase. “Obviamente, o Chile é favorito, já que são os campeões e também pelo que vem jogando. Eles têm jogadores de qualidade e temos que respeitá-los por isso. Os chilenos têm tendo jogos muito chamativos e intensos. Porém nós também estamos bem, crescendo e precisamos manter esse ritmo e atitude”, disse Trauco, ressaltando que os chilenos são favoritos.

Outro atrativo do duelo será no confronto entre os atacantes Eduardo Vargas (Chile) e Paolo Guerrero (Peru), já que ambos foram os artilheiros das últimas três edições da Copa América (Guerrero em 2011, ambos em 2015 e Vargas em 2016) e cada um tem 12 gols na história da competição, sendo os maiores goleadores em atividade na história da competição. O Chileno, que jogou no Grêmio em 2013, marcou quatro em 2015, seis em 2016 e dois na atual edição, sendo um dos artilheiros em 2019. Guerrero, que passou por Corinthians e Flamengo e atualmente está no Internacional, marcou um em 2007, cinco em 2011, quatro em 2015, um em 2016 e um neste ano.

Guerrero tenta levar o Peru para a final (Foto: Divulgação/Facebook – Selección Peruana – FPF)

Na Copa América são 20 jogos, com oito vitórias chilenas, seis peruanas e seis empates, com 27 gols do Chile e 28 tentos do Peru. O último jogo entre eles foi na semifinal em 2015 e no jogo em Santiago, o Chile venceu por 2 a 1, dois gols de Vargas, com Medel (contra) marcando para o Peru. A última vitória peruana sobre os rivais foi na fase de grupos em 1993, quando triunfaram por 1 a 0, gol de Del Solar.

GUERRA DO PACÍFICO

A Guerra do Pacífico foi um conflito militar entre os anos 1879 e 1884 entre Chile, Peru e Bolívia. As principais causas da guerra foram as disputas territoriais entre os países em razão de interesses econômicos. O Chile se saiu vitorioso no conflito, anexando a seu território a região de Antofagasta (que na época era da Bolívia) rica em guano e salitre, e Tarapacá, do Peru. A derrota foi muito sentida por peruanos e bolivianos, que perderam territórios e riquezas, enquanto que mesmo vencedor, o Chile teve que abrir mão de uma reivindicação sobre uma parte da patagônia, para manter a neutralidade com a Argentina. Até hoje a Guerra do Pacífico gera efeitos negativos nas relações diplomáticas entre Chile, Peru e Bolívia.

Mauro Adamoli