Coletivo ‘Nóis por Nóis’ revela novos músicos

Os desafios não param por aqui e o lançamento do CD do coletivo depende da arrecadação de fundos. /Foto: Divulgação.

O rap é um dos grandes movimentadores da arte e cultura nas comunidades, além de ser um impulso importante para afastar a garotada da criminalidade. Vários jovens sonham em um dia poder gravar sua música e fazer sucesso com ela. Vocação existe de sobra, mas o sonho, em grande parte das vezes, é barrado pela falta de recursos e incentivo.

Foi em meio a esse cenário que Fernando Alves, mais conhecido no meio musical como “Sampa Beats”, resolveu mudar a realidade dos talentosos jovens piracicabanos. Assim surgiu o coletivo “Nóis por Nóis”, que tem o objetivo de possibilitar aos compositores a gravação e divulgação de suas músicas de forma gratuita. “Temos, atualmente, 23 integrantes no projeto. Selecionamos pessoas que tinham o sonho de gravar uma música, cada uma delas veio com sua letra, e nós entramos com os equipamentos e a produção”, explica Fernando.

Toda a iniciativa é independente e não conta com recursos advindos de nenhum patrocinador: Fernando tinha os equipamentos em casa, a Casa do Hip Hop cedeu o espaço e estúdio para as gravações, e com o trabalho de Alves e a dedicação dos jovens, as produções começaram a sair.

 

O grupo não conta com nenhum tipo de incentivo financeiro, mas os clips já bombam nas redes sociais. /Foto: Divulgação.

O projeto final já está quase concluído, faltando apenas duas faixas para finalização do CD, e os videoclipes pipocam nas redes sociais dos integrantes do coletivo, que compartilham orgulhosos a conquista com os amigos e familiares. “Eu já ‘colava’ ali na Paulicéia faz tempo, rimava com meus colegas, escrevia minhas letras e tinha o sonho de gravar um dia, mas faltavam condições financeiras para fazer isso”, conta Victor de Assis, estudante de 17 anos. “Conhecemos o Sampa e a oportunidade surgiu. Eu fiquei bem feliz, a sensação é de que finalmente consegui”.

A música de Victor se chama “Dona Sandra”, cujo videoclipe pode ser conferido aqui no site, e é uma homenagem à mãe e aos ensinamentos que recebeu dela durante a vida. “Filho, ‘cê’ tem que trampar, ‘cê’ tem que estudar. Filho, não caia nessa de entrar no mundo do crime” são alguns dos conselhos de Dona Sandra que a composição carrega.

O coletivo abre espaço também para as mulheres em um meio musical que já foi considerado dominado pelos homens. Três garotas integram o projeto musical, entre elas Luana da Silva, que se sentiu bem recebida em todo o processo de produção. “Todo mundo me acolheu bem, apesar de eu ser mulher, e me respeitaram muito desde o início. Foi muito acolhedor, muito bom de verdade”, afirma ela.

Todos concordam que o coletivo “Nóis por Nóis” acabou por se tornar uma família, mas os desafios não param por aí. O grupo fechou parcerias com as rádios piracicabanas Hot Mix e Blackout Fm, que reproduzirão e auxiliarão na divulgação das músicas, sem investimento de custo algum, e agora o objetivo é a arrecadação de fundos para a distribuição dos CDs e a fabricação de camisetas do grupo.

Com esses trabalhos, Fernando Alves enxerga a geração de renda e reintegração no mercado de pessoas do coletivo que se encontram desempregadas. Para conhecer mais da iniciativa, doar e ajudar o grupo a concretizar as metas da produção, entre em contato através do telefone (19) 9 9969-4542 ou pela página no Facebook: Barraco Records.

 

Os desafios não param por aqui e o lançamento do CD do coletivo depende da arrecadação de fundos. /Foto: Divulgação.

 

Mariana Requena
mariana.requena@jpjornal.com.br