Com nova forma de reajuste, gasolina fica 20% mais cara

O preço médio da gasolina vendida em Piracicaba ficou 20% mais caro desde julho, quando a Petrobras colocou em prática a nova política de reajuste de combustíveis. O litro do óleo diesel também acumulou alta de 14,4% (S10) a 16,4% (comum). A estatal promoveu a mudança para se alinhar com o mercado internacional, tornando-a mais eficaz e competitiva. 
 
A eficácia esperada, porém, não veio acompanhada de preços favoráveis ao consumidor final. Em julho, em média, o litro da gasolina custava R$ 3,33. Desde então, a trajetória foi ascendente. Em agosto, a gasolina já era vendida — sempre considerando o preço médio — a R$ 3,55, em setembro a R$ 3,69, em outubro a R$ 3,74, em novembro a R$ 3,88 e, finalmente, em dezembro, a R$ 4. Houve, no período, pequenas baixas anunciadas pela Petrobras, mas sem reflexo nas bombas. 
 
O preço mais alto da gasolina registrado em um dos 38 postos pesquisados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) em dezembro foi R$ 4,25 e o mínimo R$ 3,67. “Os consumidores têm reclamado sim. Ultimamente estão reclamando e acham que é o posto que está aumentando”, disse Luiz Carlos Santos, gerente de um posto de combustíveis na avenida Comendador Luciano Guidotti. 
 
O preço do óleo diesel também manteve tendência de alta no período. Em julho, o litro custava, em média, R$ 2,81, valor que subiu para R$ 2,95 em agosto, R$ 3 em setembro, R$ 3,20 em outubro, R$ 3,27 em novembro e permaneceu nesse valor em dezembro. O óleo do tipo S 10 passou de R$ 2,94 em julho, para R$ 3 em agosto, R$ 3,24 em setembro, R$ 3,31 em outubro até chegar a R$ 3,37 em dezembro. 
 
“Essas altas encarecem o frete, interferem diretamente no preço do km rodado. Hoje está em R$ 1,60 o km”, disse o motorista Ricardo Diogo, 33, que trabalha com transporte de carga há 17 anos. 
 
O presidente do Sindetrap (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Piracicaba e Região), Evandro Zulini, avalia como negativa a nova forma de reajuste dos preços. “Avalio como uma política predatória ao setor do transporte rodoviário de cargas. O óleo diesel representa em torno de 30% a 35% dos nossos custos. Sendo assim, as empresas do setor que repassar os aumentos para poderem sobreviver”, disse.
 
Além da gasolina e do diesel, o preço do litro do etanol, que não está inserido na mesma política de preços, registrou alta de 23,2%. O preço do botijão de 13 kg do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), gás de cozinha, também teve alta: 23,2%, passando de R$ 53,51 em julho para R$ 65,94 em dezembro. Em algumas revendas, o produto chegou a ser vendido, em novembro, por R$ 75.
 
Apesar de tantas altas, estimativa do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) aponta inflação oficial de 2,78% em 2017. Por ser um fator atípico, esse cenário não deve se repetir neste ano. Assim, aumentos frequentes no preço dos combustíveis devem ter influência maior no IPCA. “A gente já espera que em 2018 a inflação já não seja tão baixa. A inflação é calculada como um todo e acho que o efeito (das altas nos preços dos combustíveis) se dará ainda no primeiro semestre deste ano” disse o professor Francisco Crocomo, coordenador do banco de dados socioeconômicos da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Ele lembrou ainda que, além dos alimentos, a situação ruim da economia contribuiu para uma inflação baixa.