Com queda da Selic, produtor rural abre mão de crédito subsidiado

A queda na taxa de juros (Selic), que chegou esta semana a 6,5% ao ano, vem provocando uma mudança no crédito rural no País. Parte dos produtores começa a migrar dos empréstimos subsidiados pelo governo federal – fixados, em média, em 8,5% ao ano – para financiamentos com juros de mercado dos bancos, que se tornaram mais atrativos.

No início da safra, em julho do ano passado, a Selic, usada como base para captação de recursos a serem emprestados, estava em 10,25% ao ano. Ao longo dos meses, porém, a taxa básica despencou para 6,5%. Como os juros agrícolas são fixos e definidos antes dos planos anuais de safra, houve uma busca maior por empréstimos sem o suporte público.

Com isso, o financiamento com juro livre subiu 54% nos oito primeiros meses da safra 2017/2018, entre julho do ano passado e fevereiro deste ano, ante igual período de 2016/17, para R$ 23,452 bilhões. Já as operações com juro controlado cresceram apenas 2,6% entre os períodos, para R$ 84,102 bilhões, praticamente estáveis se considerada uma inflação de 3% no ano passado. O total de crédito rural ofertado avançou 10,6% entre as duas safras, para R$ 107,554 bilhões. Os dados são do Banco Central.

Para os produtores, mesmo que o financiamento bancário tenha a mesma taxa que a do crédito subsidiado, a operação vale a pena, por conta da facilidade maior em relação aos recursos oferecidos pelo governo. “A exigência de contratar projetos técnicos e assistência técnica como parte do porcentual do financiamento liberado são fatores que têm inibido a procura pelo crédito com juros controlados”, diz Fernanda Schwantes, assessora técnica da Comissão de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O Banco do Brasil, maior operador de crédito rural do País, foi o maior responsável pela alta na tomada recursos por agricultores e pecuaristas com juros de mercado. O volume de crédito agropecuário contratado com juro livre no BB disparou 190,5% nos oito primeiros meses da safra 2017/2018, de R$ 2,859 bilhões para R$ 8,306 bilhões. A participação desse tipo de operação no volume total de crédito agrícola da instituição saltou de 7,19% para 16,54%.

Para Tarcísio Hübner, vice-presidente de Agronegócios do BB, além do impacto da queda da Selic nos juros para a captação e empréstimo dos bancos aos agropecuaristas, a alta no volume contratado com juro livre foi motivada também pela autorização para que recursos de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) fossem utilizados nessas operações. “A mudança na regulamentação permitiu que parte das operações com LCA fosse destinada ao custeio, investimentos e estocagem”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.