Comando Vermelho assina atestado de morte

O Comando Vermelho assinou o atestado de morte de Jordan Rafael Braz Arruda, 19, que ocorreu no corredor do Raio 1 da Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá (capital do Mato Grosso). O corpo foi localizado anteontem por funcionários daquela unidade. Na camiseta que Arruda usava estava escrito com tinta azul “morte ao PCC (Primeiro Comando da Capital) assinado Comando Vermelho”. Ele tinha mandado de prisão temporária expedido pela Justiça após ser apontado como mentor e responsável pelo latrocínio do operador de caixa Luis Fernando Moura, 30, em Piracicaba, no dia 13 de fevereiro. Moura foi morto por esganadura. A investigação foi realizada pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes).
 
O presidente do Sindspen (Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Mato Grosso), João Batista, disse que provavelmente o preso foi morto após ser obrigado a ingerir uma espécie de coquetel com drogas e álcool, preparado pelos detentos. “Essa bebida, conhecida como “Gatorade” é muito usada pelo Comando Vermelho neste Estado, principalmente envolvendo desafetos de facções rivais, pois, por aqui, há uma guerra intensa por disputa de território entre as facções. Ao contrário de São Paulo, onde as unidades são dominadas pelo PCC, aqui é o contrário. Provavelmente, o preso teria sido reconhecido como integrante da facção-rival”, disse o sindicalista. Segundo Batista, a penitenciária abriga cerca de 2.400 detentos, duas vezes e meia a mais da capacidade (859).
 
Segundo a Polícia Civil, Arruda teria se passado por integrante do PCC, mas na verdade não fazia parte da facção. “Provavelmente, ele desconhecia a guerra entre as facções por lá e teria se passado como integrante”, comentou um policial.
 
Exame preliminar realizado pela perícia criminal anteontem apontou que as únicas marcas estavam próximas ao tornozelo, onde provavelmente teria sido amarrado para não correr, e uma próxima ao pescoço, que indicariam que a morte poderia ter ocorrido há cinco dias. No entanto, existe ainda a possibilidade de que Arruda tenha sido morto no mesmo dia. As marcas podem ter sido em decorrência do início de decomposição do corpo, segundo a polícia.
 
Policiais de Piracicaba viajaram a Cuiabá para fazer a escolta de Arruda, mas foram informados sobre a morte. Arruda foi preso no dia 6 de março, na casa de parentes, em Poconé (Mato Grosso). Outro rapaz da mesma idade, envolvido no latrocínio, foi preso no Paraná, mês passado.