Começa abertura do muro do Santa Rita

muro Abertura em trecho do muro do Santa Rita: ação de moradores contrários. (Foto: Claudinho Coradini /JP)

A prefeitura iniciou ontem a demolição do muro construído há uma década para fechar o bairro Santa Rita e transformá-lo em um condomínio fechado. A derrubada dos muros se dá em cumprimento à sentença de ação popular movida por 88 moradores contrários à edificação do muro. Eles obtiveram ganho de causa em todas as instâncias da Justiça. Na etapa de ontem, a Secretaria Municipal de Obras derrubou dois trechos do muro. A prefeitura informou que os serviços continuam nos próximos dias, mas não detalhou o cronograma de ações e se o muro será demolido totalmente ou apenas nas partes que fecham as vias públicas.

Um dos trechos derrubados ontem impedia o tráfego na rua Bárbara Travaglini Lubiani, acesso à avenida Antonio Elias, na qual fica o Hospital Regional Zilda Arns. O outro trecho bloqueava o trânsito na rua Arthur Eugênio Saconi, acesso à avenida João Flávio Ferro, ligação entre o Santa Rita e os bairros Perdizes e São Francisco. A avenida Concepcionistas, acesso ao bairro Santa Rita Avencas, no qual se concentra um grande número de reclamantes, permanece fechada.

Milton Martins, advogado que defendeu os moradores, disse que o início do cumprimento da sentença é digno de comemoração. “Diz-se sempre que decisão judicial se cumpre, especialmente num processo dessa envergadura, no qual a ampla defesa foi observada em todas as instâncias. Só posso me congratular com a prefeitura e com os demais compromissados com o cumprimento da sentença”.

O Jornal de Piracicaba ouviu um dos 88 moradores da ação que resultou na derrubada do muro. Ele, que preferiu não ter o nome divulgado, mora há 15 anos no bairro, porém é dono da propriedade desde 1991, afirmou que a queda do muro representou confirmou sua opinião. “Foi uma coisa que começou errada e que tinha certeza de que não iria dar certo”. Para esse morador, o fim da possibilidade de implantar um condomínio fechado na região representa o fim de despesa extra de aproximadamente R$ 1 mil, com o pagamento de condomínio.

Giseli Mori mora no bairro há 27 anos e, na opinião dela, a queda do muro representa “liberdade”. “É a garantia do meu direito de ir e vir. Até porque esse muro não representava segurança nenhuma, já que não eram totalmente fechados, havia aberturas para pedestres. O que fizeram foi criar becos”, afirmou.

O presidente da Associação dos Moradores do Santa Rita, Maurício Ramos, procurou adotar postura conciliatória. “Decisão judicial se cumpre. Se a Justiça determinou, temos que respeitar. Minha atuação aqui tem sido no sentido de acalmar os ânimos para que a coisa se dê da melhor forma possível”

(Rodrigo Guadagnim)