Comendador mais jovem do país

Aos 31, empresário recebeu a Cruz do Mérito Empreendedor Juscelino Kubitscheck e o título de comendador. (Claudinho Coradini/JP)

Aos 31 anos de idade, o empresário de Piracicaba, Leandro Lucas Zen, é o mais jovem comendador do Brasil. Filho do casal  Célia e Silas Zen, ele é irmão da empresária Sycelle Prada.   Zen é casado com a também empresária Sofia e pai de Maria, Carmela e Vicenzo. Nascido em Itapetininga, veio para Piracicaba com a família onde conheceu sua esposa.

É graduado em Ciências Econômicas pela Facamp (Faculdade de Campinas), com MBA em finanças pela Fundação Getúlio Vargas.

Com 12 anos de experiência no mercado financeiro, começou sua carreira em investimentos e evolui para a área de crédito e meios de pagamentos. Foi fundador de três Fintechs (startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro) e esteve à frente de iniciativas inéditas no mercado, mostrando seu perfil empreendedor e inovador.

Zen é também um dos mais jovens fundadores e atuantes no fomento comercial, com uma das empresas mais inovadoras e líder no mercado de crédito para empresas de micro e pequeno ports (sise), atuando com tecnologias de ponta (Inteligência Artificial, Machine Learning, Big Data e Alternative Score).

Sempre próximo ao setor e procurando colaborar com os empresários do ramo, Zen é diretor do Sincaf-SO, a principal entidade do segmento no Brasil e também conselheiro do Sesi (Serviço Social da Indústria) e Seani (Serviço Nacional da Indústria). É investidor e membro do Conselho de Startups, tendo realizado, inclusive, eventos de liquidez, o que o aproxima do universo de tecnologia e inovação.

Foi graças ao seu currículo e atuação no mercado que o empresário foi indicado para receber a honraria Cruz do Mérito Empreendedor Juscelino Kubitscheck pelo Congresso Nacional.

Na mesma cerimônia, Zen recebeu o título de comendador. Atualmente, o termo comendador é utilizado apenas como um título distintivo de honra, oferecido por algum tipo de autoridade às pessoas que se destacam por ajudar a engrandecer a sociedade, seja por trabalhos ou influências sociais, econômicas e políticas, por exemplo. Na prática a honraria é concedida pelo destaque em sua área de atuação. Com o título, Zen passou a ser o comendador mais jovem do Brasil.

Apesar disso, o empresário pretende usar a honraria apenas para networking e oportunidades na carreira. Com hábitos simples, ele prefere passar as horas vagas em companhia da família e dos amigos.

Nesta semana, ele atendeu a reportagem, do Jornal do Piracicaba para explicar a sua área de atuação no mercado e, obviamente, comentar as honrarias recebidas em função dela.

Qual sua área de atuação?

Atuamos na área de tecnologia para o mercado financeiro com foco em crédito para empresas.

Você pode explicar o que é uma empresa fintech?

Fintech  é um termo que surgiu da união das palavras financial (financeiro) e technology (tecnologia). Fintech são majoritariamente  startups  que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro. Essas empresas possuem custos operacionais muito menores comparadas às instituições tradicionais do setor. Isso é possível porque conseguem utilizar tecnologias que elevam a eficiência dos processos e barateiam os serviços ofertados. Para ser definida como fintech, a empresa precisa ter base tecnológica e modelo de negócio altamente escalável. A definição para o termo é ser uma “empresa que use tecnologia intensiva para oferecer produtos na área financeira”. Embora seja difícil de incomodar os bancos tradicionais em volume de operações, é possível oferecer mais opções aos consumidores.

Além disso, essas empresas são capazes de proporcionar diversos serviços mais especializados comparados as instituições financeiras tradicionais Além da desburocratização quais outros benefícios você  aponta para os clientes nesse sistema?

O foco está no cliente,  tudo que fazemos é feito com o cliente e não para o cliente, portanto, entregamos uma melhor experiência do cliente desde o início, atendendo ao que ele realmente precisa, e não forçando consumir algum produto que não faça o menor sentido pra ele e ainda traga custos desnecessários. 

Essa tecnologia ainda é nova no mercado financeiro no Brasil?

O termo fintech tem ganhado espaço nos últimos anos e hoje já  são mais de 600 iniciativas pelo Brasil, inclusive com empresas com valor de mercado superior a US$ 1 bi, como é o caso do Nubank. Cada uma delas se utiliza de uma ou mais tecnologias em seus negócios e processos, algo sim ainda incipiente no Brasil, mas crescendo muito, como a inteligência artificial, machine learning, big data, fontes alternativas de crédito entre outros.  

Como você avalia a aceitação do consumidor brasileiro as fintechs?

Aceitação muito boa, pois 85% do mercado financeiro hoje no Brasil se concentra em apenas cinco bancos, e esses são todos multiprodutos. E como cada fintech nasce, na sua grande maioria, com foco em nichos e modelos de negócios específicos pra atender o cliente de um determinado nicho, ele atua com maestria atendendo a expectativa dos clientes e junto ao feedback deles cria junto com ele e não para ele, isso faz toda diferença.  

No fintechs, há risco para o investidor?

No nosso caso, na size, estamos estruturados como securitizadora e FIDC (Fundo de Investimento em Direito Creditório) ambos têm estrutura de captação de recursos de investidores e , no caso, a gente conta com isso para fading, formato muito semelhante ao que um banco faz, aí há o risco da instituição, mas hoje o nosso trabalho é muito bacana, em termos de inadimplência está bem equilibrado nos últimos sete anos, inclusive é um ponto referência no mercado, enquanto o mercado tem referência de 1,5% o nosso é 0,4%.

Qual o perfil dos empresário que buscam pelo serviço?

O perfil dos empresários que buscam por nós são micro e pequenas empresas e aí é nosso foco e o nosso propósito inclusive, porque essa é a principal classe econômica que movimenta mais de 30% do PIB (Produto Interno Bruto), geram 52% dos empregos, ou seja, mais dos empregos formais no Brasil são gerados por eles, e são 16 milhões de empresas – de micro e pequenas – equivalem a 99% dos CNPJs do Brasil e são os que mais precisam de crédito e que muitas vezes os que menos têm acesso. Então, por isso que a gente está conseguindo atingir o nosso propósito de levar o crédito de maneira, fácil, simples e ágil para esse pessoal, a gente acaba gerando indiretamente o que mais interessa que é emprego e renda e faz a economia girar.

E como sistema financeiro tradicional tem se comportado frente a atuação das fintechs?

No caso, o sistema financeiro, precisa ver se é sob a ótica dos reguladores, Banco Central, CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ou o próprio Governo, eles têm favorecido, tem criado novas leis que favorecem, mecanismos, todos eles em favor da atividade da fintechs para aumentar a competitividade, reduzir os custos e tornar Possível um acesso mais facilitado para o público consumidor seja pessoa física ou jurídica, no nosso caso a jurídica.

Vamos falar das homenagens que você recebeu recentemente no Congresso Nacional. Por que você foi indicado a receber a honraria Cruz do Mérito Empreendedor Juscelino Kubitscheck pelo Congresso?

Temos tido uma série de reconhecimentos nacionais e internacionais do trabalho que estamos realizando, e isso acabou chamando a atenção dos membros e diretores da entidade, além da validação através de indicação de pessoas que atuam no mercado e nos endossaram também. 

Essa não foi a única honraria recebida por você, correto?

Isso mesmo,  também fui agraciado no mesmo dia com a honra da mais alta distinção, a de Comenda.  E a que você atribui o recebimento da Comenda? A  Comenda é uma condecoração concedida a pessoas que se destacam em suas áreas de atuação, desde artistas, políticos, empresários e até esportistas. 

Aos 31 anos você é, então, o comendador mais jovem do Brasil? Qual a sensação?

Para minha surpresa inclusive, me informaram durante a condecoração, fiquei muito feliz por esse marco e saber que ainda há muito a ser feito.

E qual o papel de um comendador, além do status social?

Assim como recebi esse status, recebo também uma grande responsabilidade, de continuar colaborando para um Brasil melhor, justo e com oportunidade para todos que desejam fazer acontecer. 

Essas honrarias têm ajudado você na sua carreira de empresário? De que forma?

Com certeza, é uma oportunidade de aumentar o networking, conhecer mais pessoas interessantes e com isso novas oportunidades de parcerias, negócios e amizades. 

Como avalia a situação econômica brasileira atualmente e qual o maior desafio do Governo?

O processo de recuperação da economia brasileira já está sendo percebido, mas ainda é lento, e assim acredito permanecerá, no entanto, vejo que estamos indo por um caminho mais sadio, que é o que realmente importa.

Beto Silva
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