Comida boa também é amor

Todos os domingos, a capa da Jornal de Piracicaba estampa em sua capa um prato insuportavelmente delicioso, pelo menos pela foto. E fico pensando, será que alguém – depois de ver essa foto – fica com uma vontade louca de comer esse prato. Eu quase mordo o jornal. É fato, não há vida sem comida.

Para famílias grandes e de descendentes de italianos e portugueses, a felicidade se faz ao redor de uma mesa com os sabores familiares, que esquentam não só nosso estômago, mas nossa alma. A comida é uma espécie de setor especial da química ou, mais charmosamente, da alquimia. E sempre se pode melhorar nos cheiros e temperos. Nesta semana, durante uma matéria num curso de panificação, o repórter Beto Silva aprendeu um truque para deixar o arroz soltinho. Contou na redação e testei anteontem. Num é que dá certo mesmo!

A comida é tão importante e cheia de nuances, que os nutricionistas, chefs e outros especialistas defendem até o uso de produtos locais e o resgate de receitas e modos de fazer tradicionais, que mantém características regionais dos alimentos, o que significa preservar a cultura, a tradição e as sensações da comida. Quem nunca chegou na casa da mãe ou da avó e, já na porta, reconheceu o cheio vindo da cozinha, que pode ser até o café, aliás, esse é um cheiro característico nas cozinhas da minha família. Outra coisa é o pão caseiro, que aprendemos com minha avó materna, Aurora, que assava esses benditos em um forno de lenha no seu quintal, mas depois teve que passar para os fogões convencionais.

O cheio do pão assando invadia a casa, fogia para a sala e subia as escadas até os quartos atingindo em cheio nosso coração. Dá para ouvir minha vó chamando para o café: “comer pão muito quente dá dor de barriga, espera um pouco mais.”

Lendo o Boa Comida muita gente deve relembrar de momentos como esse, que são para se dividir o pão, o vinho e receber o Espírito Santo que somente quem tem a comida como algo sagrado pode entender.

Talvez não existam memórias afetivas mais fortes que as que acumulamos na cozinha de nossa casa, porque lá a química da vida de revela, com alimentos que chegam novos e vistosos e são transformados pela ação humana, que pode até estragá-los. Uma metáfora muito interessante sobre a vida e o ser humano.