Compulsão Sexual

Luiz Xavier

Ao contrário do que muitos acreditam, uma pessoa que pensa em sexo 24 horas por dia não é necessariamente uma pervertida ou sem vergonha. Ela é uma vítima da compulsão sexual
como é conhecida a doença que acomete homens e mulheres.

A compulsão sexual é um desejo exacerbado pela atividade sexual e se manifesta em pensamento pela prática sexual que faz com que a pessoa não consiga se desligar. “Pode ter, ou não, a prática sexual‘, segundo o psiquiatra Giancarlo Spizzirri do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

A doença limita a vida das pessoas, provoca perdas materiais e desfaz relacionamentos. “É como uma prisão e a pessoa não consegue se libertar sozinha. É uma busca constante e que nada dá alívio”, explica Spizzirri. Além disso, a doença tira a tranquilidade e provoca sofrimento às vítimas. A pessoa sofre porque não consegue exercer outras atividades com tranquilidade. Em casos mais graves pode perder o emprego ou outros bens materiais.

O problema é que muitos não se dão conta da doença e, por outro lado, tem medo de falar do assunto, de se expor.

A pessoa compulsiva sexual se preocupa mais com a quantidade do que com a qualidade das relações sexuais e nem sempre o número de atividades sexuais implica numa vida sexual saudável com
qualidade e prazer.

Na verdade, a prática sexual pode estar sendo usada para esconder outros problemas que envolvem insegurança, o medo de fracassar na vida profissional, no relacionamento afetivo, um possível
abuso sexual na infância, etc. Não é à toa que a maioria dos compulsivos tem dificuldade em manter um relacionamento estável. Há uma dificuldade muito grande com a fidelidade e não se satisfaz com uma pessoa só.

A compulsão sexual começa a se manifestar no início da idade adulta e se não tratada pode se estender por toda a vida. “Para ter uma qualidade de vida satisfatória, a pessoa tem que estar com sua sexualidade bem dimensionada e resolvida”, diz Spizzirri.

Como a doença tem origem psicológica, o melhor tratamento para as vítimas de compulsão ou impulso sexual é a psicoterapia. Há também a necessidade de se fazer uma avaliação para descobrir
se há uma doença psiquiátrica de base.

Além da psicoterapia, em determinados casos pode ser necessário o uso de antidepressivos para controlar a angústia e a ansiedade.

Alguns sinais de compulsão sexual:
1. Não consegue exercer as atividades
da vida diária com tranquilidade;
2. Se sente limitado/a por conta desse
impulso;
3. Deixa de fazer outras coisas prazerosas;
4. É comum ter insônia;
5. Não se alimenta direito;
6. Dificuldade com a fidelidade e tende
a levar uma vida promíscua;
7. Sai com várias mulheres/homens
ao mesmo tempo;
8. Pode ocorrer masturbação compulsiva;
9. Não fica à vontade em ambientes
sociais (a pessoa fica irrequieta);
10. Nível alto de ansiedade (muitas vezes,
não percebido pela própria pessoa).