Conflitos

“Teria sido o mundo criado jamais se o seu criador tivesse medo de suscitar confusão? Criar vida quer dizer criar confusão”. (G.B. Shaw – Pigmalião, ato V)

Quando se fala em conflitos é comum reportarmo-nos às guerras. A história da humanidade praticamente é tomada, em sua maior parte, pelos comentários sobre guerras.

Elas foram incontáveis. Embora todas causassem imensas destruições e cruentas matanças, inacreditavelmente, foram colocados no Panteão da História quem as conduziram.

Mesmo aqueles, que não conseguem perceber a importância da história na educação humanística das pessoas, sempre prestam maior atenção nos personagens tidos como heróis, por serem considerados hábeis estrategistas na condução de seus exércitos.

Desde a antiguidade, nomes como Tutmés III com suas 16 campanhas vitoriosas; Senaqueribe que devastou o Oriente da Mesopotâmia a Tiro; Alexandre Magno; Júlio César; Aníbal Barca, Gengiskan, que com suas hordas de mongóis conquistou um império de mais de seis mil Km, da Turquia a China, além dos não generais, mas governantes cruéis como Hitler e Stalin, constam em destaque nos compêndios de história. A lista é infindável e, os feitos realizados, vistos sob a ótica belicista, são considerados façanhas incríveis, como as de César e Napoleão, que sem dúvida, entusiasmam até os alunos que pouco ligam para com os estudos.

Esses conflitos são testemunhos inegáveis da cobiça desenfreada e da inconcebível insensatez humana. Eles, no entanto, não superam em número os chamados conflitos pessoais, no trabalho, familiares, empresariais, políticos, etc., etc.

Todos acontecem quando as opiniões divergem e acentuam-se quando se perde o objetivo da discussão.

Não são poucos aqueles que não admitem ouvir opiniões contrárias.

Escutar o outro e procurar reavaliar nosso ponto de vista através do entendimento do alheio, com certeza, nos permitirá, muitas vezes, perceber nosso erro ou confirmar nosso acerto e ainda propiciará a quem assim age: evitar ofensas mútuas e rompimentos indesejáveis.

Não são apenas as grandes conflagrações as responsáveis por brigas deploráveis; o meio familiar, com sua complexidade e diferenças individuais, como temperamento, idade, composição genética, luta para sobressair-se, inveja e interesses, costuma produzir insultos, maledicências, rompimentos e desarmonia.

Esses conflitos mal resolvidos acarretam distância emocional, depressões e aventuras amorosas, com trágicos resultados, em geral.

Essas brigas que de irmãos entre si, dos filhos com os pais ou do casal, causam esgarçamento do meio familiar. Antigamente, a autoridade dos pais era inquestionável, mas ditatorial, o que não era salutar. Atualmente, a desobediência e até a total falta de respeito para com os pais está afetando, além da convivência no lar, os relacionamentos fora dele, como na escola, no trabalho e nos demais ambientes.

Essa mudança comportamental agravou-se de tal maneira que fez surgir leis contra a violência doméstica, por exemplo, a Lei Maria da Penha.

Desavenças no trabalho também são comuns. O mundo moderno, ao mesmo tempo em que desenvolve a tecnologia, descuida da devida atenção para com aqueles que produzem a riqueza, os trabalhadores.

Exigir direitos é uma obrigação do real cidadão, mas em contrapartida, é necessário cumprir rigorosamente para com os deveres.