Conselho pede abrigo para mulheres vítimas de violência há pelo menos 5 anos

Faz ao menos cinco anos que o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Piracicaba reivindica a montagem de uma Casa Abrigo, para acolher mulheres vítimas de violência doméstica que precisam sair de casa para não serem mortas pelos maridos violentos. Muitas deixam o lar com os filhos. Como os R$ 200 mil previstos no PPA (Plano Plurianual, que traça os investimentos de 2018 a 2022) para a montagem são insuficientes para isso, o Conselho Municipal estuda com a Semdes (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social) a utilização desses recursos para compra de vagas em casas abrigos da região. A secretária da pasta confirmou o estudo para comprar as vagas.
 
A presidente do Conselho, Laura Maria Pires de Queiroz, informou que foi um avanço a inclusão da verba no PPA, mas o valor designado de R$ 200 mil é insuficiente – seriam necessários R$ 500 mil. Por causa disso, Laura e a secretária da Semdes, Eliete Nunes Fernandes da Silva, se reúnem nesta segunda-feira, 12, às 14h, na secretaria, para discutir a contratação de vagas em casas abrigo da região – há em Leme, Santa Bárbara d‘Oeste, Limeira e Sorocaba. Não há dados disponíveis sobre o número de vagas necessárias. A secretária de Desenvolvimento Social confirmou, via assessoria, que o recurso previsto não é suficiente para montagem da Casa Abrigo, e, por isso, está sendo estudada a alternativa de comprar vagas.
 
Segundo a presidente do conselho, a casa abrigo teria de mudar sempre de local, para evitar que os agressores localizem as moradias temporárias dessas mulheres. Laura explicou que a casa seria para atender as mulheres e seus filhos até 16 anos. As vítimas poderiam ficar até três meses nesses abrigos, tempo para se reestruturar. “Elas recebem orientações, acompanhamentos, são inseridas no mercado de trabalho, se é dependente desse agressor, damos orientação que precisa, acompanhamento com equipe multidisciplinar com advogado, assistente social e psicólogo, para se organizar até conseguir novo lar”, resumiu a presidente.
 
“O problema é que nem toda a família é acolhedora, o que seria o ideal, mas muitas vezes a mulher não mora na cidade ou não tem a quem recorrer ou a família desiste dela (por causa do histórico de reincidência) ou a família tem visão machista e acha que tem que continuar com o parceiro ou companheiro”, explicou Laura. “Essa é a nossa luta, conseguir contratar vagas em outras cidades. Em questão de segurança é bom porque o agressor não saberá a cidade onde a vítima está”, disse Laura.
 
Segundo a presidente do conselho, a reivindicação de montagem de uma Casa Abrigo para Mulheres vem sendo intensamente reivindicada desde 2016 e ganhou força com a montagem do Coletivo de Mulheres no início de 2017. Mas, de fato, a reivindicação se arrasta por, pelo menos, cinco anos, informa Laura.