Construção de imóvel sustentável ganha espaço

A construção de imóveis sustentáveis é uma tendência que começa a ganhar espaço no Brasil. O tema é muito amplo. Mas essa preocupação vai da concepção do projeto, passa pela escolha dos materiais que geram menos resíduos e segue com o melhor aproveitamento da ventilação e da luz natural até construção de cisternas para coleta da água da chuva e plantio de grama para infiltração da água no solo. Muitos prédios no país já acompanham essa tendência mundial.
 
O engenheiro ambiental, arquiteto e especialista em construção sustentável Paulo Felipe Penatti de Souza, da Ikoa Empreendimentos Sustentáveis, disse que as pessoas com maior consciência ecológica têm procurado casas desse tipo. A preocupação começa na concepção do projeto e na escolha do local da moradia, com análise da ventilação e da insolação e com o emprego de materiais com procedência, que causam menos impactos ambientais.
 
Essa preocupação é pertinente. “O setor da construção civil é o terceiro setor mundial que mais emite CO2 (gás carbônico, que contribui para o efeito estufa) e o primeiro de retirada de materiais da natureza. Utilizam-se na construção materiais como vidro, barro, cimento, tubo de PVC, pedras e areia. A construção sustentável veio para reduzir esse impacto e para oferecer conforto térmico e garantir a saúde nos ambientes”, resumiu o engenheiro ambiental. 
 
Apesar de todo esse interesse, Souza disse que o brasileiro ainda tem um pé atrás com construções ecológicas. Uma construção sustentável tem um custo maior, em média, de 2% a 3%. Se utilizar materiais avançados, a obra pode ficar de 3% a 7% mais cara. “Mesmo assim, se colocar na ponta do papel, não é muito. A construção sustentável se paga mais rápido, em torno de 15 a 17 anos, porque vai pagar menos energia, água, vai usar materiais que podem ser reciclados depois de determinado tempo de vida. Então, os benefícios são grandes”, afirmou o profissional.
 
É de Souza o projeto da residência da jornalista Vanessa Piazza, em Tupi. Ela utilizou tijolo ecológico na construção, que é encaixado como se fosse uma peça de lego. O material é curado em temperatura ambiente, sem uso de fornos, e oferece maior conforto térmico. “A minha casa, do início ao final, usou só uma caçamba de entulho, porque não usou reboco”, contou Vanessa. De fato, Vanessa disse que gastou mais na construção, mas o valor é compensado na energia elétrica e água. “Fora a sensação de pertencimento, de colaboração com o ambiente que é de todos, principalmente porque o ramo da construção civil é muito prejudicial ao meio ambiente e cada um deve fazer sua parte”, disse a jornalista. 
 
Além disso, a casa de Vanessa conta com um sistema mais moderno de captação de energia solar, tem cisterna para captar a água de chuva, usada para aguar as plantas e acionar o vaso sanitário, além de contar com pé direito alto (a casa não precisa de ar condicionado). A laje que cobre os quartos e os banheiros é mais espessa e resistente, porque a intenção é fazer um teto verde e um jardim nesse espaço, o que vai aumentar o conforto térmico. A preocupação com a sustentabilidade também foi aplicada nos móveis. Uma poltrona vermelha foi feita de barril e um sofá foi feito de palets de madeira que embalaram os tijolos ecológicos.