Corte da discórdia

Piracicaba é uma cidade reconhecida pelas suas preocupações ambientais. Tanto é assim que foi aqui que começaram as formações do Consórcio e do Comitê das Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que deram e dão contribuições para a preservação do meio ambiente, principalmente dos recursos hídricos. E os moradores não poderiam deixar passar em branco o corte de três árvores da espécie falsa seringueira (fícus ellastica) com 70 e 80 anos na praça da Boyes, na rua luiz de Queiroz. Esse corte da discórdia já havia causado polêmica, semana passada, quando o JP publicou reportagem de Felipe Poleti sobre a mudança drástica que a intervenção provocou em parte da paisagem urbana.
 
O assunto também repercutiu no Facebook do periódico. Diante da indignação generalizada, a Sodemap (Sociedade para a Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba) protocolou uma representação no Ministério Público contra a ação. A alegação da entidade é que houve falta de laudos comprobatórios de que as árvores estivessem comprometidas. Diante da representação, o promotor do Meio Ambiente, Gregório Eduardo Rafael, instaurou o procedimento, conforme reportagem de André Rossi na edição de hoje. 
 
A Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente) iniciou a supressão das árvores no dia 5 de fevereiro e o corte se arrastou por mais de 60 dias. De um lado, a prefeitura alega que as árvores estão doentes e ofereciam riscos aos pedestres, motoristas e frequentadores da praça. Do outro lado está a entidade, ao alegar que apenas uma das árvores aparentava estar doente. Havia riscos de queda iminente de galhos imensos, do tamanho de uma árvore média, diz a prefeitura. Segundo a administração, as árvores estavam com sinal de necrose, ocas e com infestação por broca (inseto que ataca os pontos de transporte da seiva da árvore).
 
Diante da repercussão da supressão, é importante que o Ministério Público intervenha no caso. Tanto que já solicitou as informações à prefeitura, que deve informar, entre outras coisas, a destinação dos troncos gigantescos das árvores. Com os laudos em mãos, o MP poderá dizer se os procedimentos adotados foram ou não corretos. E pode até mesmo assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com a prefeitura para exigir que plante mais árvores neste e em outros pontos da cidade, para compensar as suprimidas. (Claudete Campos)