Corte estético é crime!

Cortes de caudas, orelhas e retiradas de garras são proibidos, conferindo crime ambiental. (foto: Freepick)

Cachorros com ‘toquinhos’ no lugar da cauda, orelhas cortadas para parecerem mais robustos… Tudo em função de pura estética. Apesar desse tipo de intervenção ainda ser feita, a Constituição Federal considera crime quaisquer tipos de práticas que submetam os animais à crueldade, e isso inclui ferir ou mutilar animais domésticos e domesticados.

Com relação aos profissionais da veterinária, a proibição é ainda mais específica. O CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária) proíbe cirurgias consideradas desnecessárias, como o corte de cauda, de orelhas, a eliminação das cordas vocais, além da retirada das garras em felinos. O profissional que insistir no ato está sujeito a sofrer processos éticos-disciplinares.

A proibição é importante, pois os animais se comunicam utilizando a linguagem corporal e suas expressões faciais, e os cortes estéticos podem prejudicar esse comportamento natural. “Os cães que dispõem de rabos e orelhas bem visíveis conseguem uma comunicação mais clara com outros animais, o que diminui a ocorrência de brigas, e também melhora a interpretação dos sinais para os humanos”, explica a veterinária Liziè Buss, membro da Comissão de Bem-Estar Animal do CFMV.

Além do papel na comunicação, rabos e orelhas também são indispensáveis na função anatômica dos animais. “Os cães de cauda comprida possuem essa estrutura anatômica como contrapeso em corridas. O corte acaba interferindo no equilíbrio natural do animal”, afirma a especialista. “Já o corte de orelha, expõe o canal auditivo, deixando-o desprotegido e vulnerável à entrada de insetos e de água, o que pode favorecer a ocorrência de infecções”.

As vocalizações com latidos também são importantes para a comunicação dos cães, enquanto o corte das garras dos gatos os impede de desenvolver um comportamento nato, que é o de escalar.

Além de todos esses prejuízos, as mutilações estéticas podem causar muita dor e desconforto aos pets. “Cortar o rabo de um cão significa amputar parte da coluna vertebral, cortando a medula. E a orelha é uma região muito irrigada e sensível, qualquer corte costuma causar bastante desconforto ao animal”, garante Liziè. “Mutilar animais sem recomendação veterinária que seja para tratar o animal é crime ambiental e qualquer pessoa que o faça está sujeita às penalidades previstas em lei”.

QUANDO É NECESSÁRIO

Em alguns casos, os cortes das orelhas são necessários. Gatos de rua que são castrados em programas de captura, nos quais são esterilizados e devolvidos ao local de origem, têm um pequeno corte realizado na ponta da orelha esquerda, para evitar que sejam capturados e, novamente, submetidos a outra intervenção de castração.

No caso de tratamentos de saúde, o corte também é legalizado. “O animal com a orelha acometida por miíase (bicheira), por exemplo, sem nenhuma chance de cicatrização, pode ter a amputação da orelha recomendada como medida de controle da infecção”, ressalta a veterinária. Em ambos os cenários, a intervenção é feita por um veterinário e com o uso de anestesia.

 

ADOTAR É O BICHO!

O Jornal de Piracicaba, em parceria com entidades protetoras da cidade, promove a campanha “Adotar é o Bicho”, que tem o objetivo de dar visibilidade a gatos e cachorros que buscam um novo lar. Para conhecer os animais disponíveis acesse o site: www.jornaldepiracicaba. com.br/adotar-e-obicho.

 

Mariana Requena

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