Cravos e espinhas nunca mais!

Novos estudos prometem potencializar o tratamento da acne; entre eles o uso da microbiota da pele. (Fotos: Freepik)

Cravos e espinhas são grandes vilões para a maioria dos adolescentes que lidam com problemas de pele, comum no período, mas que pode afetar drasticamente a autoestima. Pior ainda é quando essa doença atravessa a adolescência e acompanha a pele até na vida adulta. Para quem já se cansou das infl amações e incômodos estéticos, algumas novas tendências no tratamento da acne podem ser a esperança, de acordo com a dermatologista Raquel Keller.

Entre os novos tratamentos está o cuidado com a microbiota da pele.

A microbiota é constituída por um conjunto de microrganismos – bactérias, fungos, vírus e ácaros – que habitam, de forma saudável, algumas áreas do nosso corpo, inclusive a pele.

A influência desses microrganismos na pele acneica tem sido muito estudada e concluiu-se que, nos pacientes com acne, é importante que preservemos a diversidade das bactérias comensais, uma vez que, são elas que mantêm o equilíbrio entre as bactérias que causam doenças e as que não causam”, explica a especialista. “O uso dos sabonetes antisséptico deve ser evitado, porque eles acabam com as bactérias comensais e, com isso, desequilibram o microbioma, levando a um aumento do número de bactérias envolvidas no desencadeamento da acne”.

Apesar da ideia de que o uso de cremes pode contribuir para a formação da acne, por conta de parecer deixar a pele oleosa, essa suposição está errada. Hidratar a pele tem a ver com repor a água que ela perde durante o dia, com evaporação ou suor, portanto esse é um hábito necessário para manter a saúde do rosto e corpo.

Pacientes com pele acneica têm alteração na perda da água pela pele, o que é piorado com o uso dos tratamentos tópicos e remédios tomados por via oral para a doença, por isso é essencial a indicação de agentes de limpeza suaves e hidratantes que mantenham a integridade da barreira da pele”, afirma Raquel.

Para escolher o creme hidratante, a dermatologista indica os que possuem textura leve, não comedogênico e que contenham ativos que promovam ação calmante, além de substâncias que inibam o desenvolvimento de bactérias prejudiciais.

NOVIDADES

O uso de medicamentos é um dos pilares no tratamento da acne, já que atuam no bloqueio da ação dos hormônios androgênicos, que estimulam as glândulas sebáceas e causam espinhas.

Uma das novidades no setor, segundo Raquel Keller, é o desenvolvimento do medicamento em creme Clascoterone, eficaz no tratamento e que não conta com efeitos colaterais. A formulação em breve estará à venda nos Estados Unidos e, logo após, no Brasil.

Estudos com retinoides e peróxido de benzoíla, já utilizados para os cuidados com as espinhas, estão sendo aprimorados. “Em fase final de estudos, temos o trifaroteno, um retinoide de quarta geração e com menor efeito irritativo, que leva também à redução de lesões da acne”, revela. “Já o peróxido de benzoíla mostrou que, além de inibir o desenvolvimento de novas cicatrizes de acne, também atua na melhora daquelas já existentes”.

Pesquisas com relação à introdução de probióticos e prebióticos na dieta também estão em andamento. Esses micro-organismos podem reduzir a infl amação e as bactérias que causam a acne. Para a dermatologista Raquel, ainda vem muita novidade por aí – alívio de quem sofre com problema.

Mariana Requena
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