Credores da Dedini aguardam liberação de R$ 14 milhões

Continua a ansiedade de pelo menos 95% dos credores trabalhistas da Dedini Indústrias de Base, que ainda aguardam a liberação do R$ 14 milhões depositados na conta judicial. O despacho do juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2ª Vara Cível de Piracicaba, publicado na última quinta-feira (22), determina a manifestação da empresa e MP (Ministério Público), sobre o valor do teto para pagamento, que poderia ser de R$ 60 mil, de acordo com a proposta inicial, ou chegaria a R$ 61 mil, conforme análise da administradora judicial.
 
O advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, Luis Fernando Severino, considerou que o processo está seguindo seu curso de maneira rápida. “O valor já está depositado na conta, não há nenhum tipo de empecilho no momento. É uma questão de seguir os trâmites legais. A publicação foi disponibilizada hoje (ontem) e nas próximas duas semanas deve ocorrer a manifestação das partes”, comentou Severino.
 
Para o diretor do sindicato, João Carlos Ribeiro, as negociação para os pagamentos dos últimos 100 credores da classe 1 (trabalhista), que são aqueles que ultrapassaram o teto, depende da venda de um imóvel no Nordeste, avaliado em R$ 12 milhões. No entanto, segundo análise da administradora judicial, o valor não chega a 70% do valor mínimo para a venda, de acordo com a cláusula da avaliação. “A empresa compradora deseja comprar apenas os imóveis e não os maquinários, mas mesmo assim essa situação tem chance de ser resolvida, pois o país passou por uma séria crise e houve a desvalorização. Pode ser que uma nova análise resolva esse impasse”, comentou Ribeiro. 
 
No início do mês, o advogado da empresa na recuperação judicial, Paulo Calheiros, do escritório Mandel Advocacia, adiantou que o pagamento poderia ser feito em 20 dias, mas dependia do trâmite burocrático para efetivar a liberação. O pedido de recuperação judicial da Dedini foi feito em agosto de 2015, mas só foi aprovado em março de 2017. Ao todo, 1.900 funcionários entraram no rateio. Um ano depois da aprovação, 1.300 receberam o que era devido, de acordo com a Dedini.
 
 
DIFICULDADES — A demissão do marido e a falta de pagamento de salário fez com que as dívidas bancárias no orçamento da família explodisse. A dona de casa Gracia Fratti Balaban tenta um emprego para ajudar a pagar as contas de casa, mas, aos 61 anos, e passando por tratamento de câncer, suas chances diminuem. “Minha dívida no banco chegou a R$ 60 mil. Tive uma proposta de R$ 2.900 para quitar, mas não tenho condições. Estou com duas parcelas da minha casa atrasada, que, a partir do próximo mês, corre o risco de ir a leilão. Só queremos que essa novela chegue ao fim, que consigamos nosso dinheiro para pagar as contas e conseguir nosso sossego de volta”, disse Gracia.
 
O marido dela, o engenheiro Nelson Balaban, 62, relatou que está procurando emprego desde a demissão e nesse tempo todo está vendo o estado de saúde da esposa agravar-se, em decorrência da tensão e aumento das dívidas.