Criação das APAs reacende projeto da Hidrovia

criação Participantes praticamente lotaram o Anfiteatro. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A audiência pública para a criação de duas APAs (Áreas de Proteção Ambiental) na região de Piracicaba reascendeu o ‘fantasma’ da retomada do projeto de implantação do trecho da Hidrovia Tietê-Paraná. O projeto, arquivado no final de 2017 após muita polêmica, eliminaria a região do Tanquã, conhecida como minipantanal paulista. A reunião sobre implantação das APAs Tanquã e Barreiro Rico teve início às 17h de ontem e se estendeu até as 20h30, no quase lotado anfiteatro do Centro Cívico. O promotor de Justiça do Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente), Ivan Carneiro Castanheiro, propôs a votação dos presentes para manifestarem o desejo ou não de que “as APAs sejam integradas em uma única APA”. O plenário decidiu por unanimidade pela união das duas áreas de conservação, o que passou a constar em ata.

O ceticismo de Castanheiro se deve ao fato de a proposta inicial prever a criação de uma única APA abrangendo as duas regiões e, posteriormente, a Fundação Florestal, órgão ligado ao governo do Estado de São Paulo, decidir pela separação. “Não vejo razão para ter cindido (separado) a criação da APA, na qual haveria economicidade, um único gestor, um único conselho, para dirigi-las. Por que vamos separar e correr o risco de uma delas não sair? Obviamente que essa uma seria a do Tanquã, por conta da possível retomada de interesses políticos e econômicos, no sentido de viabilidade e retorno dessa hidrovia. Agora há pouco, li em um blog uma nota atribuída à Prefeitura de Piracicaba, na qual é dito que o município luta há 30 anos pela hidrovia e que este seria um interesse legítimo. De certa forma, me faz concluir que há um posicionamento do município. Posso estar errado em minha conclusão, pela retomada do empreendimento da hidrovia, mas eu não vejo outro motivo para separar as duas APAs”, manifestou o promotor.

Castanheiro entende que a audiência pública, “dá força política” para as próximas etapas do processo. Agora, a proposta de criação das APAs será submetida ao Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente) e, posteriormente, à decisão do governador Márcio França (PSB).

Embora considere a criação das APAs uma etapa importante contra a implantação da hidrovia, ela não significará o êxito completo, na opinião de Castanheiro. “Com a criação da APA fica mais difícil [implantar a hidrovia], mas não impossível. Depende do que constará no Plano de Manejo”, disse.

(Rodrigo Guadagnim)