Criança Transgênero

Hoje o nosso papo é com a psicóloga, neuropsicóloga e terapeuta cognitiva comportamental, Danieli Alves Padilha, sobre um tema que é cercado de desinformação e, o pior, informações erradas sobre a transexualidade infantil. Vejam que interessante:

“A infância é uma fase marcada pelo intenso desenvolvimento físico e intelectual. Ao longo do desenvolvimento infantil as descobertas diante de estímulos externos vão caminhando juntamente com a percepção do mundo interno da criança e a construção da identidade, do seu próprio eu. Na maioria das vezes esse processo ocorre de forma constante e natural. A criança passa a ter a capacidade de reconhecer seu brinquedo preferido, a brincadeira que mais gosta, as suas vestimentas, entre outros. No que se refere à identidade de gênero, a criança naturalmente a constrói e se reconhece menina ou menino, independentemente de seu órgão genital. No caso das crianças transgênero o que ocorre é que há uma discrepância entre o gênero que expressa (gênero que se reconhece) e gênero designado por nascimento (órgão genital). São crianças que nascem com órgão genital masculino e se percebem como sendo menina ou criança que nascem como o órgão genital feminino e se reconhece menino.

Identificando alguns possíveis sinais

A Sociedade Brasileira de Pediatria descreve alguns sinais de disforia de gênero na infância como:

–  descompasso entre o gênero que a criança expressa (se identifica) e o gênero designado no nascimento;

– forte desejo ou insistência de pertencer ao gênero oposto da sua anatomia;

– forte preferência por usar vestimentas típicas do gênero que se identifica;

–  forte preferência por papéis transgênero em brincadeiras de faz de conta;

– forte preferência por brinquedos, jogos ou atividades preferidas de outro gênero, entre outros.

O processo de identificação e aceitação por parte dos pais nem sempre é rápido, tão pouco fácil. Traz desconforto, sofrimento e dúvidas de conduta. Os pais devem estar abertos a ouvir o que o(a) filho(a) tem a dizer. A escuta, o diálogo, a aceitação e a disposição dos pais em compreender a fala da criança é significativo para todos, especialmente para ela, que falará sobre quem é, o que sente, enfim, sobre a sua identidade. Os pais devem estar abertos para ouvir e compreender todo o contexto, livre de preconceitos e julgamentos, sempre abertos o máximo possível para não prejudicar ou anular a identidade da criança.

Tratamento

Não existe tratamento para curar a Transgeneridade, até porque não é doença. A criança, entretanto, deve ser acompanhada por profissionais como Pediatra, Psicóloga(o) e Psiquiatra, que poderão dar o suporte necessário para a criança compreender como lidar com sua identidade e suas particularidades físicas e psíquicas.

A Psicoterapia Infantil é fundamental nesse processo. As intervenções com a criança objetivam preservar sua identidade (da forma que está sendo construída por ela mesma), respeitando seus próprios desejos e integridade, sem interferência ou qualquer tipo de indução. Parece fundamental identificar como a criança é, como está se apresentando, sua essência e identidade e, consequentemente, preservar e garantir sua saúde mental e emocional. Além da intervenção com a criança, há necessidade de orientação para os pais e familiares periodicamente e orientação para a escola sempre que houver necessidade”. Lembrando sempre que o diferente não é desigual!