Crianças e Adolescentes com transtorno opositivo desafiador

Ana Carolina Carvalho Pascoalete

Por acaso você já se deparou com alguma criança extremamente opositora, desafiadora? Aquela que discute facilmente por qualquer motivo, com dificuldade de assumir seus erros, dificuldade de assumir responsabilidades, ignorando o fato de cometer falhas, que apresenta teimosia, com tendências vingativas e avessas, e que é comum observar nela a indisposição com os demais indivíduos de sua convivência?

Aponto aquelas crianças e adolescentes sempre difíceis de convencimento, mesmo que o raciocínio lógico evidencie que suas escolhas estão equivocadas, mantendo a resistência em suas condutas. Se você conhece indivíduos com esse perfil, pode se tratar de pessoas que apresentam transtorno opositivo desafiador. Pessoas nesse perfil apresentam grande dificuldade para lidar com regras e opinião alheia e forte tolerância a frustração, com reações impulsivas, intempestivas, com dificuldade de controle emocional.

É comum essas crianças e adolescentes sofrerem discriminação, exclusão de oportunidades, rompimento com amizades, podendo sofrer bullyng em maior frequência, sendo não incluídos a eventos sociais e de programação escolar, devido seu comportamento difícil. Em muitas situações, os pais evitam passeios e eventos para não enfrentar situações de desconforto, ou deixam a criança e adolescente com outras pessoas para evitarem passar vergonha ou sofrerem críticas por julgarem seu filho como mal educado sendo responsabilizados pelo comportamento apresentado por ele.

Claro que não significa que qualquer indivíduo que apresente os comportamentos citados anteriormente tenha o diagnóstico do transtorno opositivo desafiado. Crianças e adolescentes com suspeita desse transtorno precisam ser observadas. Os pais precisam assumir a responsabilidade para iniciarem algumas medidas psicoeducativas e estratégias de como agir com essas crianças e, somente se os comportamentos persistirem, procurarem por uma avaliação diagnóstica. Caso comprovado o transtorno será preciso assumir a necessidade e o desafio em aprender a lidar na prática diária com esse filho.

Algumas dicas úteis que auxiliam no tratamento de crianças e adolescentes na condução de oposição são que os pais ou educadores precisam usar uma mesma linguagem e estabelecer mesmas regras e normas no cumprimento das rotinas diárias, independente dos pais serem casados ou separados.

Ao conduzir tais regras de funcionamento do processo de educação desse filho, os pais e educadores precisam falar de forma clara e objetiva, evitar se justificar ou prolongar a conversa. Tente se alinhar a altura dele, olhe nos olhos e seja direto, imponha-se em tom de voz tranquilo, de forma a convencê-lo antes de qualquer contra argumento, assuma postura de autoridade e evite utilizar da palavra ‘não‘. É importante que essa criança e adolescente vivam em uma casa organizada, que possam ajudar nas tarefas de funcionamento desse lar, com bons investimentos afetuosos, onde os adultos sejam considerados boas referências de exemplos, comportando-se de forma que a criança possa reproduzir esses comportamentos.

Uma excelente estratégia com crianças e adolescentes nesse perfil é elogiar e evidenciar em todos os momentos que a criança apresentar um comportamento adequado, ressaltando os acertos ao invés de apontar os erros, ignorando-os quando possível. Todos envolvidos devem seguir a mesma filosofia, para que a criança não tende seguir o membro mais permissivo. Criar momentos prazerosos juntos com a criança e adolescentes que apresentam o transtorno opositivo desafiador, auxilia na interação e estimula os vínculos afetivos. A psicoterapia é uma grande aliada no sucesso do tratamento.