Crise na água: quem está com a razão, a Câmara ou o prefeito?

Não é novidade para ninguém que a população de Piracicaba vem sentindo constantemente a falta de água nas torneiras, sem contar as contas abusivas e até esgoto correndo a céu aberto em diversas partes da cidade, tanto que a Câmara de Vereadores, após audiência pública que debateu esta situação, em 20 de fevereiro último, a qual também foi um pleito nosso, defendeu a instalação de um comitê de crise na autarquia, uma vez que o seu presidente, José Rubens Françoso, não foi capaz de responder como se esperava aos pontos levantados.

No entanto, o prefeito Barjas Negri, em resposta a questionamentos do Jornal de Piracicaba, sobre toda esta situação enfrentada pela população, não admite que há crise no abastecimento de água da cidade, atribuindo as contas de água com valores abusivos a ‘sensacionalismo’.

Com relação à falta de água, o prefeito disse que o Semae já esclareceu a ocorrência, atribuindo a queda de energia na ETA (Estação de Tratamento de Água) Capim Fino e rompimento isolado de algumas adutoras. Sobre às contas discrepantes, o chefe do executivo alegou que o Semae tem dado todos os esclarecimentos, visitado os imóveis e montou uma ‘força-tarefa’ encarregada de analisar todos os casos para dar uma solução e que todos os questionamentos podem ser enviados ao Semae para análise e resposta. Imagina se toda população for à autarquia reclamar? É preciso de uma política de gestão pública e não individual.

Senhor prefeito, a insatisfação dos servidores, pode ter a certeza, se deve ao desmonte que vem sendo praticado contra o Semae, uma autarquia que sempre foi considerada exemplo de bom funcionamento pela nossa população e, portanto, as falhas que vem ocorrendo não são pontuais, até porque vem se tornando rotina e quem sente é a população que sofre com a falta de água em suas casas.

Apesar de não concordar com as respostas do senhor prefeito, me deixa menos aflita, mas não tranquila, o fato de garantir que não está nos planos do seu governo a privatização do que restou do Semae, mas sabemos que a estratégia de quem tem a intenção de privatizar um bem público é sucateá-lo para dizer, depois, que teve que entregá-lo à iniciativa privada porque o Estado já não consegue mais garantir o seu perfeito funcionamento.

Diante de tudo o que boa parte da população vem sofrendo, me questiono, quem tem razão, a Câmara de Vereadores, que considera haver, sim, uma situação generalizada no município e, muitas vezes, a população tem dificuldade em resolver as pendências com segurança e agilidade por parte da autarquia, e que cobrou a instalação do comitê de crise pelo Semae, ou o prefeito que trata toda esta situação como problemas pontuais? Longe de mim estabelecer uma crise entre legislativo e executivo, a nós interessa a solução dos problemas. Não dá para tapar o sol com a peneira, a realidade é dura e crua, não enxerga quem não quer.

Senhores, quem tem a razão, sim, é a população, que precisa ser informada qual a raiz de todo este problema e se as tarifas abusivas continuarão sendo praticadas, assim como se o esgoto continuará correndo a céu aberto, expondo a saúde da população. O Semae é nosso e exigimos uma política mais transparente, com a participação da sociedade civil na autarquia, para que se garanta água na torneira de todos e a preço justo.