Crônica de uma morte anunciada

É difícil não se emocionar ao assistir a alguma reportagem pela televisão ou ler alguma notícia que envolve criança. Ainda mais uma história bizarra como essa que aconteceu em Piracicaba, no fim de semana. Um pai é acusado de ter estuprado (isso mesmo) seu filho de ano um ano e cinco meses. Nem os laços de sangue foram suficientes para o pai conter a sua compulsão. Do abuso resultou na morte do bebê, provavelmente por hemorragia interna.
 
 
Quem não se emociona com uma história dessas? Quem não se revolta com um caso como esse? Chega a causar mal-estar entre os pais-heróis que amam, de verdade, seus filhos e que labutam diariamente pra sustentá-los e supri-los de amor e mimos. Essa sensação de náusea piora ainda mais porque o alvo do pedófilo é uma criança que não tem como se defender das investidas sexuais do pai. O crime ocorreu na favela do Pantanal, no bairro Monte Líbano.
 
 
Crimes como esses independem de classe social e acontecem aos borbotões ao redor do mundo. O que mais choca é que o pai não demonstrou a menor emoção ao ver o corpo do filho morto. E nem demonstrou arrependimento com o que havia feito, como traz reportagem de Cristiani Azanha, nesta edição. 
 
 
Tudo indica que o pai seja um psicopata, como bem definiu a psicóloga Erika Penha, que traçou o perfil psicológico do assassino. Como bem diz a psicóloga: ele não tem condições de viver em sociedade. Tem que ficar encarcerado. Se for solto, vai voltar a cometer crimes. Pelo menos ele está encarcerado. Se fosse em qualquer outro país civilizado, em especial nos Estados Unidos, ficaria preso para sempre. Prisão perpétua é o termo correto. Infelizmente, esse não será o primeiro e nem o último caso que vamos acompanhar. Parece até mesmo uma crônica de uma morte anunciada.
 
 
Não há como trazer a criança de volta à vida. Mas o que os familiares da mãe e a população piracicaba esperam é que o pai fique preso pelo tempo definido pela legislação: pelo menos 30 anos. Afinal, trata-se de um crime hediondo. Mas no país tudo é possível. Escrevam ai: o defensor do pai vai alegar que o genitor não sabia o que estava fazendo, como já aconteceu em vários casos semelhantes. 
 
Mas espera-se que a Justiça prevaleça neste caso. E que o pai — se ficar comprovado que foi o autor do crime bárbaro — apodreça na cadeia. Para o bem da sociedade e das crianças inocentes mortas nas mãos de assassinos cruéis.  (Claudete Campos)