Culpa pela paralisação deve cair sobre os ombros de Trump, diz líder democrata

O líder do Partido Democrata no Senado dos Estados Unidos, Chuck Schumer, disse hoje que a culpa pela paralisação do governo deve cair sobre os ombros do presidente Donald Trump, que recuou de negociações para que se protegesse da deportação jovens imigrantes levados ainda pequenos ao país.

“Não foram só votos de democratas que levaram à paralisação”, disse Schumer, observando que cinco republicanos também se recusaram a apoiar a medida paliativa para estender o teto da dívida e evitar a paralisação até a meia-noite desta sexta-feira. “Podíamos ter aprovado a medida e tentamos negociar com Trump, mas ele recuou no primeiro sinal de pressão”, disse.

As negociações para que se aprovasse a medida paliativa foram atrapalhadas por divergências entre republicanos e democratas sobre a proteção dos imigrantes no programa conhecido como Daca. No ano passado, Trump disse que encerraria o programa e deu até março para que o Congresso resolvesse a questão.

Desde então, legisladores de ambos os partidos tentam firmar um acordo. Enquanto os democratas querem que se mantenha o status de legalidade dos jovens imigrantes para colaborar com o governo, os republicanos querem financiamento para o muro que o presidente pretende construir na fronteira com o México.

A Casa Branca tenta culpar os democratas pela paralisação. Há pouco, a porta-voz da presidência, Sarah Huckabee Sanders, emitiu um comunicado afirmando que não haverá negociação para o Daca até que a “paralisação de Schumer” seja revertida.

Schumer rebateu: “os americanos sabem que os republicanos controlam a Câmara, o Senado e Casa Branca e que é dever deles manter o governo funcionando”. “Eu quis, inclusive, negociar o muro na fronteira, mas ele disse que não teria acordo”. “Isso deve ser chamado de ‘paralisação de Trump'”.

O democrata ponderou, no entanto, que seu partido ainda está aberto a negociações. “Os democratas continuarão a lutar por acordos bipartidários”. “Quando Trump estiver pronto pra negociar, estaremos também”, concluiu. (Matheus Maderal – matheus.maderal@estadao.com)