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Sotaque piracicabano é usado em novela
Ana Rízia Caldeira
01/06/2016 07h06
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Não só uma marca piracicabana, mas um dialeto conhecido nacionalmente, o “caipiraciabano” foi utilizado como inspiração para o modo de falar dos personagens da novela Êta Mudno Bom, exibida na Rede Globo. 

Em processos de legitimação como patrimônio público imaterial organizado pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba), a linguagem municipal ganhou um novo olhar após ser utilizada no estudo cênico da dramaturgia por meio do Dicionário do Dialeto Caipiracicabano, escrito pelo jornalista Cecílio Elias Netto. A obra ganhará uma nova edição no segundo semestre deste ano.

O autor participou no dia 18 de maio do programa Encontro com Fátima, também da Globo, para falar sobre o sotaque. Foi lá que ele descobriu que o seu livro havia sido usado na produção televisiva. “Soube que foi mais para colher dados e maneiras de falar. Achei isso muito bacana, porque estamos lutando muito para que as raízes de Piracicaba sejam fortalecidas por meio do nosso sotaque e linguagem, que são muito característicos”, relatou.

O trabalho de mais de 30 anos com o livro e a coluna Arco, Tarco, Verva, de onde ele surgiu, é, segundo o autor, um marco para defender a cultura interiorana vista na figura do caipira à beira do rio com os peixes. “Isso valoriza a identidade que o linguajar tem. Se alguém daqui abre a boca em qualquer parte do Brasil, logo é identificado como de Piracicaba. O que falar do Nhô Quim (personagem criado por Edson Rontani)? Esse caráter caipira é fundamental para continuar a luta de preservá-lo e ser reconhecido como foi agora.”

Cecílio comentou que ficou sabendo que a produção da Globo comprou diversos exemplares para usar na dramaturgia. “Uma livraria aqui da cidade comentou que um representante da Globo tinha passado por lá para adquirir alguns exemplares do dicionário. Para mim foi bastante surpreendente”, contou.

RELANÇAMENTO — A última edição do livro encontrase esgotada, mas já passou por processo de reedição e tem o relançamento marcado para este ano. “Agora, com esse processo de se tornar patrimônio imaterial, estamos apenas aguardando a aprovação desse documento que, praticamente já está aprovado, para fazer o novo lançamento. Acredito que aconteça entre julho e agosto”, informou o autor, pontuando o aparecimento de novos verbetes para a edição de 2016. “A cada relançamento novas palavras são inseridas, nesta não poderia ser diferente. Tem sempre algo novo para colocar e isso realmente não acaba por causa da língua não ser estática. Eu mesmo descobri umas quatro semanas atrás”.

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Cecílio Elias Netto e a nova nova edição do dicionário (Foto: Arquivo/Amanda Vieira/JP)

Segundo ele, a nova edição terá ainda uma homenagem ao pintor Almeida Júnior, o primeiro homem a dar arte ao caipira. Apesar da reedição, este será o último trabalho com o livro realizado por Cecílio. “Agora deixarei para quem quiser e tiver competência fazer com que o livro siga em frente”, relatou.

OBRA — Completando 30 anos em 2016, o Dicionário Caipiracicabano reúne mais de 600 palavras que foram reunidas por Cecílio após notar o tamanho reconhecimento do sotaque Brasil afora. A montagem do dicionário iniciou-se em 1987, no jornal A Província, com a coluna Arco, Tarco, Verva, que reunia frases e expressões do que logo foi chamado de “dialeto caipiracicabano”. A coluna cresceu e transformou- se em um livro com primeira tiragem feita em 2001.

 
 
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