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Paixão antiga motiva ferreomodelismo
Thainara Cabral
11/01/2017 10h06
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Bianchi coleciona trens há 34 anos, reconstruindo cenas presentes nas fotos dos avós (Foto: Isabela Borghese/JP)

As linhas férreas funcionaram efetivamente em Piracicaba durante cerca de 99 anos.

Mesmo depois da desativação das ferrovias, a paixão pelos trens e locomotivas fez os trilhos se manterem em movimento para algumas pessoas, mas em um tamanho bem reduzido.

Por volta de 1830 foram fabricados na Alemanha as primeiras miniaturas de trens e, desde lá, o ferreomodelismo ganha adeptos que dedicam grande parte da vida em aumentar a coleção e montar verdadeiras cidades ferroviárias em maquetes.

Para os colecionadores, o ferreomodelismo vai além do hobby e é uma forma de manter viva as lembranças da infância.

Piracicaba reúne cerca de 90 ferreomodelistas, de acordo com a Frateschi, única empresa da América Latina de trens elétricos em miniaturas e réplicas de composições reais.

Situada em Ribeirão Preto, ela fabrica os trens existentes no Brasil e foi exatamente isso que atraiu o químico industrial Francisco Carlos Bianchi.

Colecionador há 34 anos, a intenção do piracicabano é reunir miniaturas dos trens que estão presentes nas fotos que guarda dos avós.

Isso porque a família materna de Bianchi trabalhava na empresa ferroviária Sorocabana e construiu as linhas férreas de Presidente Venceslau (SP) até Piracicaba, em 1905.

“Hoje eu olho nas réplicas e volto no tempo, me vejo criança andando nos vagões com a minha família”, comentou.

Aos 60 anos, Bianchi tem um verdadeiro patrimônio de 160 locomotivas e vagões e prefere não contabilizar os gastos que já teve com a coleção. Em média, as miniaturas de locomotivas custam R$ 250 e vagões R$ 45.

“É um desespero de colecionador, quero comprar tudo que vejo. Se eu falar para minha mulher o quanto já gastei nisso, ela me manda embora”, brincou.

Em 1992, o ferreomodelistas materializou a paixão e comprou uma locomotiva em tamanho real, que está em operação em Campinas para turismo.

A compra ocorreu por acaso, quando a família dele soube que a locomotiva iria ser derretida e, por isso, estava sendo vendida como sucata.

“É uma história engraçada. Essa locomotiva veio de Portugal e caiu no mar ao ser descarregada do navio, na Bahia. O dono não quis mais e a ofereceu de graça para quem conseguisse tirá-la da água. Ela foi levada para o Rio de Janeiro e atuou durante 60 anos até ser encostada. Eu reformei ela inteira”.

Bianchi também aprendeu a operar e se tornou maquinista. Inclusive, ele já atuou em novelas rodadas em Campinas, como Terra Nostra, da Rede Globo.

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Terches Filho iniciou a sua coleção em 1985 e está finalizando após recomeçar duas vezes (Foto: Isabela Borghese/JP)

MAQUETES — Para os ferreomodelistas, apenas as réplicas não bastam.

É preciso recriar as linha ferroviárias e a cidade existente no entorno, incluindo todos os acessórios como pontes, túneis, estações, postos, além das casas e cenografia.

Para tornar tudo mais real, os trens andam nos trilhos através de um sistema elétrico.

A montagem da maquete requer trabalho e prova disso é a persistência do aposentado Avary Terches Filho, que iniciou a sua em 1985 e está finalizando após recomeçar por duas vezes.

A cidade ferroviária em miniatura tem quatro metros de comprimento e Terches separou um imóvel só para abrigá-la, junto com sua coleção de ferreomodelismo, que reúne cerca de 80 vagões e 30 máquinas.

“Parece que nunca tem fim. Sempre aparece algum item para adicionar ou modificar”, relatou.

O piracicabano é ferreomodelista desde 1979 e a paixão é fruto da infância.

“Quando criança eu morava entre as ruas Quinze de Novembro e a Moraes Barros, onde passava uma linha da Sorocabana. Eu ficava sentado na calçada esperando o trem passar. Hoje eu recrio tudo o que via naquela época”, contou emocionado.

Bianchi está trabalhando em sua maquete há dois anos e realizou todo o processo sozinho.

“É um trabalho artístico, tem que se desdobrar e usar a criatividade.”

 
 
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