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Humor gráfico como profissão
Da Redação
03/07/2017 15h25
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Programador visual, artista plástico e serigrafista são apenas algumas das funções que constam no currículo de Eduardo Grosso, cartunista e caricaturista que descobriu no humor gráfico uma gratificação para se realizar profissionalmente.

Nascido em Piracicaba, em 1959, Edu Grosso, como assina artisticamente, estudou desenho e pintura clássica com o pintor piracicabano Alberto Thomazzi de 1974 a 1980. Foi isto, inclusive, que o aproximou das atuais atividades que desenvolve no cargo — simbólico — de diretor do Cedhu (Centro Nacional de Documentação, Pesquisa e Divulgação de Humor Gráfico de Piracicaba), organismo pertencente à SemacTur (Secretaria Municipal de Ação Cultural e Turismo) que é responsável pela organização do Salão Internacional de Humor de Piracicaba e de políticas culturais relacionadas às linguagens do humor gráfico.

Em entrevista à reportagem da Revista Arraso semanal, Eduardo Grosso, que já teve trabalhos expostos em diversos municípios brasileiros, como Porto Alegre, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Volta Redonda e Belo Horizonte, além de países como Itália, Japão, Bélgica, Irã, Coreia, Turquia e Portugal, relatou sua inserção no mundo das artes gráficas e falou sobre a importância do humor na sociedade.

Como foi sua infância na cidade? Quando descobriu que queria trabalhar com humor gráfico?

Tive uma infância bastante livre em uma época sem muros ou cercas. Onde eu morava era comum passar das 18h e não ter mais nenhuma movimentação na rua, o que possibilitava poder brincar muito naquela via. Saía para brincar também na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), que era um parque onde se podia jogar bola e soltar pipa.

De escolas, eu frequentei o Prudente de Moraes e o Sud Mennucci. Depois, fui para São Paulo, onde prestei vestibular e entrei para a Faculdade de Belas Artes, mas não cheguei a concluir o curso. Depois disso, voltei para Piracicaba, no início dos anos 80. A partir daí, comecei a trabalhar profissionalmente com serigrafia e tive certa facilidade, pois entre os 15 e 19 anos tive aulas de pintura e desenho clássico com o professor Alberto Thomazzi e a cidade também conta com uma forte tradição no ramo.

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Foto: M. Germano/JP

Com todo conhecimento adquirido nos anos da adolescência, comecei a utilizá- los na vida profissional. Passei a modificar a minha maneira gráfica de desenhar, justamente porque a técnica que aprendi exigia isso. Aos 19 ou 20 anos, fazendo serigrafia e cartazes, conheci o Salão Internacional de Humor e comecei a participar. Desde a infância eu também copiava desenhos, coisa comum, reproduzia os quadrinhos, colecionava, e todo esse universo que transforma nossas perspectivas sobre desenhos.

Mais para frente, lia alguns jornais como Folha de São Paulo, que tinha um suplemento muito interessante chamado Folhetim e me chamava a atenção por ser direcionado ao movimento das artes gráficas. Nele eu via o Angeli, Laerte, Fortuna e tantos outros. Também, como boa parte da minha geração, eu curtia ler o semanário O Pasquim. Tudo isso, junto a minha vida profissional, deu início a minha participação na área do humor, do Salão Internacional e de outros que acabei conhecendo.

Antes de ser cartunista, você costumava pintar paisagens e natureza morta. Como foi sua transição e adaptação para o novo estilo? 

O trabalho que eu fazia era mais acadêmico, embora eu não goste de rotular e estabelecer um modelo padrão. Aquilo, depois de certo tempo, chegou a um momento em que me senti esgotado, não entendia muito bem, mas eu perdi a atração. Sem esse interesse pela arte clássica, surgiu um novo interesse pelo desenho de humor, porque eu via que através das imagens feitas era possível olhar para a realidade e se expressar sobre ela.

Passados muitos anos deste fato, pude entender que eu procurava um novo modelo para me expressar sobre o que acontecia em minha volta. O que sempre me marcou e foi constante no meu trabalho é a questão do rio Piracicaba, pois é algo presente na vida da cidade. Na época em que eu estava começando essa transição, o rio estava muito seco e eu fiz diversos desenhos sobre a questão da água e a falta dela. Inclusive, havia um movimento na cidade para reverter aquela situação, pois haviam começado um processo de desvio de água do Piracicaba em São Paulo, fato que ficou marcado na minha vida. A partir disso, pude perceber que a linguagem do humor era algo em que eu poderia atuar e ter um retorno pessoal.

 

De que forma começou a se envolver com a organização do Salão de Humor de Piracicaba?

Ainda na década de 1980, comecei a frequentar o Salão Internacional de Humor e conhecer novos concursos, o que me fez, posteriormente, participar de inúmeros. Não tive a oportunidade de fazer publicações constantes nesse tempo, isso só foi acontecer anos mais tarde no Jornal de Piracicaba.

Junto disso, tive algumas experiências na área de desenhos propagandísticos, seguindo a linha do humor, e participei de concursos em todo o Brasil e também em nível internacional. Na época, não contávamos com a internet, então, o envio dos desenhos era feito por correspondência.

Paralelo a isso, trabalhei no departamento gráfico da Ação Cultural, da Prefeitura, desenvolvendo as placas de ruas, cartazes, convites e produções para eventos, que estavam relacionados à área artística. Quanto à organização do evento, eu só comecei a partir do momento em que a Secretaria de Ação Cultural começou a tomar conta dele.

Foi por isso que criaram o Cedhu?

Sim, ele foi criado, mas infelizmente ainda não existe, apesar de todos esses anos. Falta na estrutura da prefeitura o estabelecimento do Cedhu como entidade, com seus respectivos funcionários. A instituição precisa, de fato, existir. Até mesmo a figura do diretor, que atualmente encontra-se vaga, não existe como algo institucionalizado, como acontece com a Pinacoteca e o Museu Prudente, por exemplo. Ainda não há um esquema sobre como ele deve funcionar para ser realmente uma realidade. Mas eu, como funcionário da secretaria, acabei de alguma forma ajudando e trabalhando na montagem dos desenhos, Salão, cartazes e questões gráficas.

Comecei a fazer parte da organização em 2010, quando outra pessoa assumia a diretoria. Ao sair, fui convidado a ocupar esse cargo, exercendo ele até 2013, mesmo sendo simbólico. Essa função existe para dirigir o grupo que faz a gestão do humor gráfico em Piracicaba. Saí por um tempo e depois voltei a trabalhar aqui, exercendo não no integral as funções que são depositadas para um diretor e também de forma não oficializada pois, como disse, o Cedhu ainda precisa ser objetivado.

Quais são as atividades pertinentes ao Cedhu?

A que mais conhecemos é a organização do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, desde a produção dele, que são exposições paralelas, oficinas, contatos com as pessoas que passarão pelo evento, até parcerias, tratando isso da melhor maneira possível para que existam apoios, como os institucionais, que são quando levamos o material e espaços para divulgação são cedidos.

Existem questões de investimentos realizadas também, como a parceria com a Arcor, que fornece a premiação do Salãozinho sem que o dinheiro precise passar por nós. São todas uma série de atividades que resultam em parcerias para enriquecer a iniciativa, como a que faremos com o Shopping, onde passarão exposições após a abertura do Salão.

O Cedhu é esse grupo de funcionários que, com bastante antecedência, vai pensar na preparação dos jurados, da recepção e acomodação, nas questões de viagem. Além disso, ele é responsável pela programação anual, pensando o ano todo em levar o Salão a ser o que ele é, dentro ou fora da cidade e país. Basicamente, é realizar atividades de várias naturezas, tendo como ápice no ano o grande evento de humor que é o Salão. Mesmo com todas as dificuldades, ele segue sendo um sucesso.

Recentemente a instituição foi indicada ao Prêmio Governador de São Paulo. Embora não tenha recebido a grande premiação, como foi ver o Cedhu entre os três mais votados?

Entendo que a indicação foi motivada por conta dessa tradição de anos e, inclusive, por conta da participação do ex-secretário de Cultura do Estado, José Roberto Sadek, como um dos jurados de premiação no evento do ano passado. Ele pôde acompanhar de perto como fazemos isso e, pela admiração que tem à arte do humor, facilitou o reconhecimento recebido.

Tivemos também muitas outras pessoas importantes passando por aqui e alguém deve ter se lembrado de nós em algum momento dessa seleção, pois somos uma das únicas entidades no Brasil que cuida dessa área do humor e, bem ou mau, ele tem um papel importante na nossa cultura.

Ao longo dos anos, nós procuramos estabelecer uma relação com os cartunistas participantes, devolvendo os trabalhos, fazendo indicações, e acho que isso é o nosso trabalho, poder principalmente valorizar a questão do humor gráfico, porque ele vai continuar presente e o Cedhu seria esse aparato que, profissionalmente, transforma tudo em eventos de valorização.

O que o humor gráfico significa para você?

Ele é uma ferramenta importante na sociedade. Tanto em rádios, televisões e teatros, o humor sempre foi fundamental para uma coletividade mais livre, mais pensante e arejada, porque através dele foi possível falar de várias coisas para vários públicos que, muitas vezes, nem têm formação.

Ele atinge e gera discussões sobre situações importantes. É claro que é necessário ter uma responsabilidade de informar e fazer uma análise correta do fato, mas uma sociedade sem humor vai adoecer, criar monstros e ditadores. O humor tem o poder de derrubar esse fundamentalismo e, se não derruba, consegue compenetrar em situações absurdas para amenizar e deixar que elas sejam analisadas e refletidas por todos.

Infelizmente, o que temos são cartunistas dispensados e desvalorizados, pois o mundo se transformou. Mas é só olhar o poder que o humor tem de vender, visto em propagandas. É muito nítido como ele gera brincadeiras que “pegam” e as pessoas se lembram muito bem, por isso que o bom humor, quando bem feito, é poderoso.

 
 
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