Cururueiro Milo da Viola morre aos 81 anos

Morreu, na madrugada de ontem, o violeiro Angenor Aparecido Correa, conhecido como Milo da Viola. Aos 81 anos, ele era um dos poucos nomes remanescentes na cidade a divulgar o cururu. Seu sepultamento será hoje, às 9h, no Cemitério da Vila Rezende.
 
Violeiro desde a década de 60, Milo nasceu em 24 de junho de 1936. Ficou muito conhecido por tocar cururu com o grupo de catira Raízes de Piracicaba, durante 30 anos. Trabalhou na zona rural e foi porteiro, mas o amor pelo viola começou desde cedo, ouvindo o avô tocar.
 
Natural de Santa Bárbara d’Oeste, fez dupla com Melo (Milo e Melo), Orandino, e chegou a tocar para Moacyr Siqueira, Jonata Neto, Nhô Serra, Parafuso, Joao Mazero, Pedro Chiquito e Nhô Chico. O apelido “Milo” veio do período em que fez dupla com outro cantor, que tinha o mesmo nome que o seu, Angenor Gonzales. Já o apelido “da Viola” é uma paixão hereditária deixada por Angenor.
 
Em 1971, gravou o disco Os Reis do Cururu, no qual há a participação de cantores de cururu do interior de São Paulo. Milo passou pelas rádios Difusora AM, Rádio Alvorada, Educadora e também participou do Programa Ao Som da Terra, aos domingos, e que valorizava o folclore da região de Piracicaba.
 
Em 2015, Milo passou por uma cirurgia para a retirada dos pinos da perna. Porém, na mesma época, seus diabetes e hipertensão pioraram, resultando em uma depressão, após passar mais de seis meses no hospital.
 
No documentário Cururu Piracicabano, de 2016, Milo teve importante participação, acompanhado de Toninho da Viola, Jonata Neto, Dirceu Chiodi e Mané Araújo. Também participou de Musicalidade Piracicabana, documentário de 2014. Ambos produzidos por André Boaretto, da Alma Filmes.
 
A neta Drielly Karina Felipe, 27, cita a principal lembrança do avô, que a levava, ainda na infância, junto aos demais netos, para o show do cantor Carlito. “Adorávamos ir e acompanhar ele tocando”, contou Drielly. O estado de saúde de Angenor piorou com a morte, em 2017, da sua esposa, Sonia Luiza Rosa, de câncer no intestino.
 
O coordenador do projeto Choros e Serestas, Fabio Cardoso Monteiro, comentou sobre a perda do cururueiro. “Nossos ícones estão partindo, e estamos sem ninguém para os repor. É muito triste”. 
 
“Era mestre em cururu, nunca vi igual”, contou o violeiro Juninho Caipira, filho de Nhô Chico. Segundo Juninho, ele e sua família sempre se reuniam com Milo em datas comemorativas para tocar e cantar. “Uma das vezes que cantei com ele foi em 2003, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Fazia parte da família.”
 
De acordo com a família, Milo estava com a saúde em dia, mas, na noite desta segunda-feira (5), sofreu um infarto e veio a falecer, deixando oito filhos, nove netos e quatro bisnetos.